Feeds:
Posts
Comentários

por Carolina Waideman

Tem sido cada vez mais comum passarmos horas a fio, sem sequer nos darmos conta, frente a uma tela na qual, usualmente, estão dispostos vídeos e imagens.

Seis horas passam como se fossem apenas uma. Seis horas depois, ali está você, sem apreensão de nenhum conteúdo digno de menção ou interação real com pessoas reais.

Sozinhos, lemos notícias que não nos interessam, conversamos com pessoas com as quais não gostaríamos, assistimos vídeos que não nos agregam. E não nos damos conta disso.

Marc Augé diz que os meios de comunicação em geral acabam por substituir as instituições mediadoras e criadoras, como escola e família, por meio de três excessos: excesso de informação, excesso de imagens e excesso de individualismo.

O excesso de informação toma forma quando lemos notícias ou artigos que não nos realmente interessam, mas pensamos interessar. O livre arbítrio na internet é equivocado. Teoricamente, podemos qual conteúdo mais nos agrada e quais informações nos são relevantes, mas temos que levar em conta quais informações estão disponíveis. Numa metáfora, é a sensação de você poder escolher seu prato – mas você só o escolhe se o restaurante o oferecer.

O excesso de imagens pode ser entendido como quando, em uma viagem, por exemplo, o turista se preocupa mais em tirar fotos do local visitado do que em sentir o lugar propriamente. Acabamos viciados em imagens e em obter imagens e por vezes deixamos de viver o que realmente há por trás delas.

O excesso de individualismo se dá porque toda essa navegação é individual e, por mais que possamos interagir com outras pessoas virtualmente, via de regra essas interações acabam sendo superficiais. Há a falta do toque, do olhar, do cara-a-cara – fundamentais para que haja interação de fato, o que faz com que o sentimento de solidão seja inerente à maioria dos internautas.

Deixemos de lado então os excessos, a televisão, a internet: há muito mais a ser visto no mundo lá fora.

por Diogo Ruic

Os 15 sites mais visitados do mundo têm como principal características o compartilhamento da informação e a interação. E apenas cerca de 10% entre os 100 mais vistos não possuem essas premissas. Isso, definitivamente, não é pouco – falamos de uma audiência de mais de 1 bilhão de pessoas. No Brasil, 15 milhões de pessoas estão conectadas, enquanto a tiragem dos jornais tupiniquins não alcança a casa dos 5 milhões. Parte disso é cultural – temos uma população ainda pouco letrada – e a outra parte, mesmo que ainda pequena, é da própria “velha mídia”. mauricio-maia

“O ambiente de interação e de inter-relacionamento é desprezado, e a nova mídia é usada para prosseguir no caminho da unidirecionalidade. A produção de entretenimento ou de jornalismo é despejada no internauta da mesma forma como é derramada pelos veículos impressos”. – Caio Túlio Costa.

Espaço de reflexão, os jornais impressos não têm demonstrado a mesma habilidade que os tornou sinônimo de jornalismo nas últimas décadas com a web. Informação paga na internet, experiências pouco revolucionárias nos sites, enfim, o impresso está apanhando. E nem mesmo os números que mostram um aumento percentual nas tiragens no Brasil não podem ser compreendidos como uma retomada de espaço, senão como um suspiro da força de grandes corporações aliada à fidelidade de alguns milhares de leitores. O problema é que eles não iram durar muito e avanços para conquistar a nova geração conectada tem passos tímidos. 

Talvez tudo isso ainda esteja ligado a incompreensão de alguns setores da mídia das vantagens da participação aberta. E isso não chega nem perto de interações em programas de TV: “Mande um e-mail e escolha o vencedor da prova”. Senhores, isso não é interação, não como 1 bilhão de pessoas já entendem ser. Se não faz parte de determinada linha editorial a participação com “jornalistas cidadãos”, o aumento das possibilidades interativas deve ser vista como premissa. Caso contrário, quando quem cresceu com jornais em cima da mesa da sala perder o interesse pela informação, não serão as crianças conectadas mundo afora que irão buscá-lo na banca.

por Thaise Salzgeber

Para o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a modernidade sólida (que tem início com as transformações clássicas e o advento de um conjunto estável de valores e modos de vida cultural e político) cessou de existir e deu lugar a modernidade líquida, uma modernidade volátil, na qual as relações humanas não são mais tangíveis e a vida em grupo (familiar, casais, amigos, sociedade…) perde a consciência e estabilidade.

Suas principais características são o desapego, provisoriedade e o acelerado processo de individualização. Um tempo que, ao mesmo tempo gera a liberdade, e a insegurança.

No auge da era da liquidez, o ser humano está se despersonalizando, com isso adquirindo o estatuto de coisa a ser consumida, que em seguida pode ser descartada e facilmente reposta por modelos similares.

“A vida na sociedade líquido moderna é uma versão perniciosa da dança das cadeiras, jogada para valer. O verdadeiro prêmio nessa competição é a garantia (temporária) de ser excluído das fileiras dos destruídos e evitar ser  jogado no lixo” (Vida Líquida, p. 10).

O que diferencia uma modernidade da outra é que, a original era pesada no alto, e a atual é leve no alto, desprendida de deveres emancipatórios.

A individualização na modernidade atual, diferente da individualização de cem anos atrás, consiste em transformar a identidade humana de um dado em uma tarefa, na qual seus autores serão responsáveis pela sua realização e também pelas consequências advindas da mesma.

por Keli Silveira

Antigamente, para comprar uma mercadoria era só visitar um pequeno comércio próximo a sua residência e marcar na caderneta, naquela época comprava-se para suprir necessidades fisiológicas. Nas prateleiras, o que se via eram poucos produtos e pouca variedade. O tempo passou e o nosso poder de compra mudou. Começamos a subir a pirâmide de Maslow e a buscar outras necessidades: de segurança, de aceitação, de respeito e reconhecimento e de auto-realização. Tornamos-nos então, uma sociedade de consumo.

Aproveitando-se desta tendência de mercado, as empresas perceberam que suas marcas deixaram de ser simplesmente uma representação simbólica, por meio do seu logotipo, e tornaram-se uma ferramenta poderosa na conquista e fidelidade de seus clientes. No texto “Marcas globais e poder corporativo” a autora Naomi Klein diz: “o que mudou com a recente evolução da marca não é tanto o produto que tem a marca, mas sim o consumidor que tem a marca”.        

É fato que as corporações desenvolvem uma idéia que tem a ver com o perfil, com os valores e com o comportamento do seu público-alvo, porém um produto não é constituído somente por um logo, ele deve ser bem desenvolvido, uma vez que o que diferencia uma marca e outra, além de sua comunicação, é a boa qualidade do produto e a credibilidade adquirida no processo de construção da marca.

A marca é um símbolo gráfico que representa uma instituição, ela se alimenta de significados, por isso pauta-se em nossas idéias políticas, nossas noções de família e de comunidade.

Para Naomi Klein, “a idéia é você ter uma idéia que ressoe com o espírito da época, e você está sempre vasculhando a cultura atrás da nova idéia, a idéia ressonante”, em um mundo globalizado a questão da idéia é fundamental para quem deseja fixar sua marca na mente dos consumidores.

E se um dia você se deparar com um anúncio de uma empresa: “Nós vendemos idéias e não produtos” não estranhe, porque este processo de vender idéias e não produtos, já faz parte do nosso cotidiano, e tem influenciado significativamente nossa cultura e nossas  vidas.

por Louise Pertusier

imagem oliviero

Qual a sua visão de mundo? O que você realmente pensa quando o assunto são as pessoas ao seu redor? E como você as vê? As distingue como próximas, amigas e desconhecidas ou por sua cor, raça, religião e status social?

Na campanha para a marca Benetton, Oliviero Toscani retrata essa “diferença” percebida pelas pessoas, mas, como de costume, de uma forma chocante para alguns, mas completamente humana para outros. Você, meu caro leitor, perceberia a diferença entre três corações de humanos em um anuncio publicitário se não fosse pelas legendas que os distingue por cor de pele? É lógico que não, porque por dentro (fisiologicamente) todos somos iguais, temos as mesmas condições corpóreas que qualquer outra pessoa, mas muitas pessoas não enxergam assim por uma palavra tola, que particularmente considero um sentimento horrível, o racismo.

imagem oliviero 4

Esse “sentimento” não é uma coisa nova, uma característica do mundo que chamamos de globalizado. Há milhares de anos ele já existia e o mesmo já moveu nações em guerras e barbáries.

Por isso, entre diversas outras razões, acredito que o objetivo de Toscani sempre foi nos abrir os olhos para o mundo real. Adianta acreditar que somos diferentes um dos outros se vivemos sob as mesmas condições, estamos no mesmo mundo e respiramos o mesmo ar? O que se tem de prazeroso em menosprezar uma pessoa por uma condição imposta?

  Somos todos humanos, espécie essa que ainda possui exemplares que insistem em acreditar que são melhores que os outros.

 

 

por Keice G. Casarri

A realidade dos números é cruel. São raras as mulheres satisfeitas com a sua beleza. A maioria corre atrás do padrão estético das beldades que posam para revistas e desfilam na TV. O mito existente dentro destes padrões ganham milhões para terem corpos esbeltos e diferem bastante da realidade da mulher moderna. Aquela que precisa sair para o trabalho, se desdobrar em 1.000 para atender seus muitos papéis e ainda lidar com a cobrança interna e externa exigidas.

Os resultados são notórios: a obsessão pela magreza, as dietas, a malhação, a cirurgia plástica, a moda, os produtos de beleza, todos vendidos e abordados pela mídia. A psicóloga Rachel Moreno, escreveu o livro “A beleza impossível – Mídia, mulher e consumo”,  e faz um alerta: “O ideal de beleza cria um desejo de perfeição, introjetado e imperativo.”

Por que é tão difícil aceitar a diferenças quando se fala em beleza?

A beleza não é um fato, é um valor. Um valor muitas vezes atribuído. A afetividade, as emoções podem atenuar, criar ou destruir belezas. Beleza não é mensurável. O conceito varia no tempo e no espaço. Os valores não são, valem. O que é bonito para uma pessoa pode não ser para outra da mesma idade, sexo e cultura.

A influência acirrada da mídia contribui para que as mulheres acreditem que só serão bem aceitas pela sociedade se aproximando de alguns esteriótipos. Por outro lado, da mesma forma que os meios de comunicação se colocam, muitas vezes, a serviço do padrão de beleza ideal inatingível, também podem se tornar agentes conscientizadores da diversidade: “No momento em que a mídia não fala simplesmente sobre os modelos considerados perfeitos de acordo com os padrões, mas aponta para a variedade dos tipos existentes, ela alerta para os riscos da violência contra o corpo, ajudando até a salvar vidas”, afirma Norval Baitello, coordenador da área de comunicação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

Um paradoxo contraditório a relação de beleza e mídia, mas no fundo  ”padrão de beleza” é um assunto polêmico e gerador de controvérsias por si só. Mexe com o psicológico e deixa claro o conflito de identidade. O importante é que as mulheres fiquem atentas, para não cair nas armadilhas puramente consumistas e serem cada vez menos escravizadas pela cobrança estética. Um dia, quem sabe, tenhamos uma sociedade mais democrática sobre a pluralidade da beleza.

 

por Mariana Primi Haas

Talvez não houvesse oportunidade melhor que a atual para a conclusão de uma série de posts falando sobre a Mídia do Espetáculo, afinal, estamos em plena espetacularização de uma doença. Isso mesmo. Uma doença em cartaz e viajando o mundo com seu drama.

Muitos poderão discordar de mim, dizer que é uma questão de serviço público, entre outros argumentos. Porém, digo que essa super-produção já extrapolou qualquer que fosse a intenção de informar, apenas.

Alguém é capaz de dizer o que realmente está acontecendo? Imagino que não. Eu, pessoalmente, vejo apenas um pânico imenso e desproporcional ao tamanho do problema. Hospitais lotados de gente… Com gripe… Apenas gripe.

É claro que não estou aqui dizendo que a Influenza A não existe, nem que é um vírus criado pela mídia, não sou louca, o que estou tentando trazer à baila é a quantidade de desinformação que se tem sobre este assunto, gerando pânico e comoção em graus ainda mais alarmantes que a própria H1N1.

Todos os dias quando se abre o jornal, qualquer jornal – desde os dedicados à classe alta, até os dedicados às classes baixass – a manchete é a “Gripe Suína”. Mesmo que não se tenha novidades sobre o assunto, mostram-se filas intermináveis de hospitais, mesmo sem a certeza de serem vítimas da Influenza A.

Espetacularizar um fato não é o mesmo que divulgá-lo. É fazer dele demasiadamente falado, discutido, tratá-lo de forma rasa e pouco trabalhada. Falar da Influenza A, por exemplo, explicar seus sintomas e formas de contraí-la, bem como, o modo de tratá-la, a evolução da doença… Tudo isso é fundamental!

Descartáveis são as manchetes diárias recheadas de pessoas que acharam que contraíram, vacinas que pensam que inventaram, filas que se imagina sejam causadas pelo novo vírus, e intermináveis “talvez” e “quem sabe”. Tornando os leitores desinformados e causando o pânico global.

Edição do jornal em 02/06/09
Edição do jornal em 02/06/09

Por Diogo Ruic

Domingo, 31 de maio de 2009, some no oceano atlântico um Airbus que partiu do Rio com destino a Paris. Já na segunda-feira (01/06), a cidade de Paris era relacionada em 7% da cobertura mundial de notícias, a maior da lista, graças aos dezenas de franceses a bordo. Terça-feira (02/06), mais de 24 horas depois, o maior jornal impresso do Brasil noticiava: “Avião com 228 a bordo some no mar no trajeto Rio-Paris”.

Pelo horário do acidente, já na noite de domingo, a Folha de S. Paulo, não teve tempo hábil para inserir essa informação na edição de segunda, optando por fazê-la no longinquo exemplar de terça. O tema, obviamente, deveria ser tratado pelo diário, mas o fez de forma errada ao pressupor que poderia vendê-lo como novidade. Qualquer outro veículo de comunicação já tinha transmitido a notícia: tratado nos programas dominicais da TV, discutido e noticiado pelo rádio, compartilhado pela internet.

E esse é um problema que os jornais ainda não aprenderam a lidar, com a concorrência veloz das outras mídias, principalmente da internet. “A velha mídia não está condenada a morrer, mas está destinada a parar de crescer da maneira como sempre cresceu, a não ser que domine a plataforma da nova mídia, caso contrário, alguém lhe toma o lugar”, escreveu Caio Túlio em “Por que a nova mídia é revolucionária”.

Para mim, o caso da Folha soou tão claro dessa descompreensão sobre o novo papel do jornal em uma sociedade conectada que cheguei a escrever ao ombudsman, Carlos Eduardo Lins da Silva, que tratou do tema em sua coluna no domingo. Se seguirmos abrindo nossos impressos com a impressão de que são de ontem, é sinal de que o veículo não acompanhou seu tempo, se datou em uma época em que esperávamos por escassas fontes de informação. E espero que isso não aconteça.

Mapeamento da cobertura mundial de notícias no dia seguinte ao acidente
Mapeamento da cobertura mundial de notícias no dia seguinte ao acidente

por Juliana Santini

A nova mídia acrescenta uma dimensão poderosa ao nosso padrão cultural, pois sua capacidade para criar e distribuir informação e entretenimento é muito superior à de qualquer veículo já experimentado.

Mesmo nesse estágio inicial, podemos ver os contornos do novo padrão de informação e entretenimento de massa. Novas tecnologias, tal como a Internet, já ameaçam a posição tradicionalmente mais forte das antigas e os exemplos disso, são a TV a cabo e os videocassetes. Além disso, existem pelo menos meia dúzia de outras importantes tecnologias de mídia se preparando para entrar no mercado.

As pressões são internas e globais quando consideramos que a concorrência do comércio internacional aumenta. A indústria da mídia tem sido mais lenta do que a maioria das outras em lidar com essas mudanças. Em geral, ela tem se contentado em manter e reciclar seus formatos altamente bem sucedidos.

Durante anos, grande parte da indústria da mídia foi impulsionada pela atitude generalizada, de acordo com a expressão: não se mexe em time que está ganhando.

Essa atitude foi reforçada nos anos 70 e 80 por uma série de fracassos bem divulgados envolvendo novas tecnologias.

Sendo assim, as indústrias de mídia têm um interesse crucial na maneira como a economia americana lida com algumas mudanças. A transição para um novo padrão de comunicação de massa envolve mais que inovação tecnológica. As novas tecnologias de mídia têm de se adaptar às realidades maiores de uma sociedade pós-industrial em evolução.

por Louise Pertusier

O que desejou Toscani quando sua campanha publicitária para a marca italiana Benetton passou a ser veiculada? Chocar o mundo com as imagens utilizadas? Ser conhecido como o publicitário e fotografo que foi censurado em diversos países por seu trabalho ou então o responsável pela quase falência da marca? Responsável por uma crise no meio publicitário, o que Toscani fez, não só apenas para a Benetton mas também em todos os seus trabalhos, foi mostrar a verdade nua e crua para quem quisesse ver, e dessa forma fazer com que as pessoas ao redor do mundo pudessem perceber e enxergar uma realidade muito mais dura e cruel que nos rodeia.

A publicidade dos dias de hoje mostra apenas um mundo bonito a ser visto, sem problemas, males ou imagens que possam ser mal compreendidas… Na verdade, ela mostra o que o consumidor quer ver, o que lhe agrada, pois afinal todos achamos que temos problemas o suficiente para não ter que nos preocupar com outras coisas.

Admito que, como publicitária, não é fácil abrir uma revista e ver uma foto com um homem morrendo de AIDS, destruído pela doença, deitado em uma cama de hospital esperando pelo pior, ou então o uniforme de um militar morto em guerra que lutou até o fim por amor a pátria e um ideal de mundo, e ainda conseguir relacionar a marca à aquela imagem. Não apenas esses temas, mas a aliança Toscani + Benetton vem a anos seguindo o mesmo estilo de campanha e divulgado por meio da propaganda os mais recentes problemas de âmbito mundial. Será que é mesmo mais fácil fechar os olhos e fingir que esses problemas não existem?

Acredito que a marca Benetton segue uma linha de pensamento que quase nenhuma outra empresa ou marca no mundo segue, que é se preocupar com aquilo que não nos preocupamos e fingimos que não existe.

Apesar das famosas e polemicas imagens retratadas por Toscani terem chocado grande parte da população mundial, o objetivo almejado pelo publicitário parece ter sido alcançado. A conscientização de diversos problemas vem sendo publicada e veiculada pelos mesmos meios que influenciam o seu surgimento: a também italiana marca de roupas Nolita passou a veicular em 2007 uma campanha de autoria de Toscani contra a anorexia, que beneficamente incentivou os órgãos ligados à moda de todo o mundo a criarem uma campanha contra o padrão anorexico das modelos que servem de exemplo para milhares de jovens.

 “… Parece muito interessante que uma marca de roupa compreenda o fenômeno, tome consciência de seu papel e patrocine a campanha”, declarou o fotógrafo à imprensa italiana. E ele tem razão.

01

 

02

 

03

por Mariana Primi Haas

Muitas vezes quando falamos no conceito “mídia do espetáculo”, podemos correr o risco de encarar a espetacularização como parte dos meios de comunicação, como condição básica do jornalismo. Afinal, pra que serve o jornalismo senão para mostrar os fatos, evidencia-los.

Mas esse é um erro grave. As mídias, o jornalismo, devem servir a nós leitores, ouvintes ou telespectadores a versão mais próxima da realidade que seja possível, porém é preciso que se faça tudo isso com base na ética da profissão, no respeito ao leitor e ao anunciado.

Tirar conclusões com base nos fatos apresentados já vai um pouco além do sublinhar de determinadas situações. E, é isso – que os telejornais, jornais impressos e de rádio – vêm querendo fazer com as notícias. Estão brincando de detetive. O único problema é que essa brincadeira é coisa séria. É brincadeira de gente grande.

O que se consegue nesse circo armado é muito bem exemplificado pelo caso Eloá, onde uma jornalista teve a brilhante idéia de entrevistar o sequestrador em seu cativeiro. Daí pra diante todo mundo lembra o que aconteceu: um grande circo foi armado, com direito a leões, palhaços, mestres de cerimônias e… Uma tragédia como pano de fundo.

Outros casos onde se superou a cobertura jornalística adequada do caso, entre eles, a morte da pequena Isabela Nardoni, a falsa acusação de pedofilia no caso Escola Base, entre tantos outros. Atualmente, a mídia está como a conhecida música de Chico Buarque:

 “O samba, a viola, a roseira

Um dia a fogueira queimou

Foi tudo ilusão passageira

Que a brisa primeira levou”

por Keice G. Casarri

Para a psicologia da Gestalt o que nós vemos ou percebemos está relacionado com a totalidade do campo de observação. Percepção é tudo aquilo que é compreendido do mundo a partir de nossas experiências vividas na sociedade. Cada um possui uma maneira de interpretar e perceber o mundo, porque as pessoas vivem experiências diferentes umas das outras.

Quando se fala em percepção na comunicação, fala-se da maneira como os consumidores enxergam os produtos/serviços/marcas e como os produtos/serviços/marcas se posicionam na mente deles.

Para a teoria empírico-experimental, persuadir os destinatários é um objetivo possível, se a forma e a organização da mensagem forem adequadas aos fatores pessoais que o destinatário ativa quando interpreta a mesma. A mensagem contém características particulares do estímulo, que interagem de maneira diferente de acordo com os traços específicos da personalidade do destinatário. 20081023_18188

O Censo Demográfico realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE 2000) aponta que crianças de 4 a 14 anos representam 37.245.906 de brasileiros, quase 22% da população do país. Além disso, 78% dessas crianças vivem em situação domiciliar urbana, mais próximas aos bens de consumo.

Diante dessas estatísticas, as marcas globais estão atraindo cada vez mais a atenção da garotada, que ficam expostas à comunicação publicitária estrategicamente dirigida a segmentos específicos, em diversos meios.

Hoje, as marcas de maior visibilidade já são conhecidas por crianças de apenas três anos de idade, revela o Kids Power estudo regional de TNS, empresa que atua no segmento de pesquisas de mercado customizadas.

Um recurso muito utilizado pela publicidade, é o uso de mascotes para acompanhar produtos/serviços/marcas. No mercado infantil, é onde estão concentradas a maior partes das mascotes publicitárias. Isso talvez, porque a criança está em desenvolvimento constante de aptidões de identificação, e com as mascotes não é diferente. Veja algumas dessas identificações:

* Cuidar do outro: a criança cuida da boneca, do brinquedo, do animal de estimação e também da personagem.

* Enxergar-se no outro: a criança identifica no brinquedo, animal ou personagem qualidades que ela tem. Ela os humaniza.

* Ser como o outro: a criança admira e imita a personagem, pois quer possuir certas características dele.

* Vivenciar o que não pode ser: a criança, nesse caso, não quer ser igual, mas é atraída pelas qualidades negativas que a personagem tem (falo de um vilão ou uma bruxa), pois pode expressar nessas personagens frustrações e raiva.

Assim, no universo infantil, a personagem cria um estado psicológico menos defensivo por parte do público e  a persuasão intrinseca nas mascotes publicitárias, considera a complexidade da relação emissor-mensagem-destinatário.  As mascotes tornam-se porta-voz da marca. A mensagem anunciada passa a não ser dita mais pela marca, mas por uma terceira pessoa (a personagem), agregando a si mais credibilidade, fator decisivo para impulsionar a compra. 

mASCOTES

por Mariana Primi Haas

Nas últimas semanas não se falou em outra coisa que não fosse a não obrigatoriedade do Diploma para Jornalismo. Todos falaram disso. Só disso. Incessantemente. Incansavelmente. Desastrosamente. Um excesso. Um exagero. Muita informação e pouca profundidade.

Segundo Douglas Kellner, autor na qual se baseia esta postagem, o espetáculo nada mais é que a criação de uma cultura midiática, conseguindo, assim, ser capaz de influenciar a economia, a política e o cotidiano contemporâneo.

Conflitos político sociais, como a necessidade ou não de um Diploma para os profissionais do jornalismo, chegam aos espectadores através de fragmentos da realidade. No caso analisado, faltou uma discussão essencial: a diferença que uma boa formação traz à notícia.

Mais que isso: faltou lembrar o risco que as profissões, de modo geral, correm. Faltou discutir – ai sim insistentemente – a precarização do mercado de trabalho.

Mas talvez não fosse tão interessante, assim, lembrar a todos os profissionais, principalmente os das áreas de humanas o risco que correm. Que suas profissões correm. Alguém está sabendo, por exemplo, da existência de um debate sobre a não obrigatoriedade de um Diploma para os Profissionais de Educação Física?

É isso mesmo. Os profissionais de Educação Física também correm o risco de perder seu diploma, sob a mesma alegação: não é preciso conhecimento específico. E assim, o efeito dominó derrubará um a um os diplomas conquistados. Resta-nos esperar ou, nesse caso, fazer, como diria o jornalista José Arbex Jr., um belo “Showrnalismo” de notícias esclarecedoras e questionadoras sobre o atual mercado de trabalho e suas condições.

por Danúbia Guimarães

Diante da constatação de que os meios de comunicação também estão inclusos na era dos mercados planetários, surge a preocupação com o público que vai receber esse novo tipo de informação. Sobre isso, Barber vai mais além e teme que o consumismo mundial gere “uma sociedade na qual o consumo se transforme na única atividade humana e, portanto, naquilo que define a essência do indivíduo” (2002:48). Habermas faz coro a esse pensamento e defende que os meios de comunicação têm parte de culpa nesse estado de consumismo constante, já que não cumprem mais seu papel de formar a opinião pública.

(…) os meios de comunicação e, principalmente, a imprensa, são os responsáveis pela perda da capacidade crítica do público e pelo conseqüente declínio da esfera pública, uma vez que perderam sua função crítica para atuarem apenas como transmissores de propagandas (HABERMAS, 1984:253)

Lasch também compactua com o pensamento de Habermas e afirma que “quanto a dizer que a revolução nas informações elevaria o nível da inteligência das pessoas, não é nenhum segredo o fato de que a sociedade cada vez sabe menos sobre assuntos de interesse público” (1995: 189).

Menos apocalíptico Nilson Lage defende que as pessoas não são tão fáceis de serem conduzidas, muito menos a imprensa é tem poder absoluto.  De acordo com Ângela Cristina Salgueiro Marques, doutora em Comunicação Social pela UFMG, em artigo intitulado “Os meios de comunicação na esfera pública: novas perspectivas para as articulações entre diferentes arenas e atores”, alguns autores também compactuam com a ideia, como Garnhan, 1992; Dahlgren, 1995; Page, 1996; Gomes, 2007; e Maia, 2000. Eles “identificam os meios de comunicação como atores dúbios: ao mesmo tempo em que contribuem para o alargamento e a construção de espaços de discussão, estão submetidos às lógicas do mercado e das desigualdades de poder entre o público e os agentes mediáticos”. (MARQUES, 2008: 31)

 (…) se os veículos de comunicação e o jornalismo em particular tivessem tal poder de direção das “massas” – se existissem tais “massas” passivas, inertes, indefesas diante do veneno das mensagens midiáticas, então poderíamos dispensar a História e negar aos eventos qualquer outra causalidade (LAGE, 2001:45)

Flávio Porcello, doutor em comunicação pela PUCRS, pondera em artigo intitulado “Mídia e Poder: o que esconde o brilho luminoso da TV?”, que a mídia é a nova praça pública onde os gregos se reuniam na antiguidade para discutir a sociedade, com ênfase na televisão por ela representar o meio com maior alcance e visibilidade (2006:82). Isso não significa, no entanto, que ela teria o poder de simplesmente invadir a mente das pessoas. O importante é que a informação tenha força e seja realmente de utilidade.

 Nesse ponto, Lasch concorda com Porcello e defende que o público está mal informado não por causa do ensino de pouca qualidade (embora ruim), mas devido à falta de debate público. “Quando o debate se torna uma arte esquecida, a informação, mesmo que esteja rapidamente disponível, não impressiona” (1995:190).

O fato, no fim das contas, é que a vida sem a informação, mesmo que enviesada pelos interesses da cultura McWorld, é impossível. Se as relações humanas estão cada vez mais baseadas na rapidez e na mudança de cenários e contextos, sem falar na união de grandes mercados, há a necessidade de alguém para tornar tudo isso público, esse alguém, é a mídia, como explica Lage

 (…) a sociedade depende muito do fluxo de informação, mais do que em qualquer outra época da História. Sem informação jornalística – e pouco importa se ela o agrada ou desagrada, se lhe motiva paixão ou repulsa – o homem contemporâneo não consegue orientar-se na vida civil, profissional e mesmo afetiva; os mercados regridem em dinamismo e agilidade; numa era de especialidades, especialistas e tribos, é pelo jornalismo que se consegue ter contato com o que pensam os outros. (2001: 49)

Mas se é fato que a notícia deva existir mesmo em território conturbado por tantos interesses, qual será o futuro dos meios de comunicação? Que formas eles passarão a ter? Pensando justamente em responder essas perguntas, a empresa italiana Casallegio produziu um vídeo intitulado “Prometeus: A revolução da Mídia”[1], que tenta revelar uma visão da mídia e da convergência da Internet em relação ao futuro. No filme, em 2011, até mesmo os anúncios publicitários passam a acontecer somente na Internet, enquanto um papel plástico substituirá o jornal impresso.

Em uma versão um pouco apocalíptica, o vídeo revela ainda que em 2015 os impressos e a TV desapareceriam, enquanto o rádio migraria exclusivamente para a Internet. Quanto à fusão das grandes corporações, o vídeo aposta na compra da Microsoft pelo Google, e na compra do Yahoo! pela Amazon, formando os primeiros “líderes mundiais de conteúdo universal”.

Apesar do vídeo não passar de ficção, muito do que foi sugerido pode ser encontrado nos meios de comunicação. A pasteurização da notícia e a ameaça do Google de comprar o Twitter[2] só revelam que a planetarização do conteúdo midiático é mais real do que se imagina.

 Referências

BARBER, Benjamin R. In: MORAES, Denis de. Por uma Outra Comunicação: mídia, mundialização cultural e poder. Rio de Janeiro: Record, 2005. 41-56 pp.

CAMARGO, Raquel. Twitter pode estar nos planos de investimentos do Google. Acesso em 20 de junho de 2009. Disponível em http://www.twitterbrasil.org/2009/02/26/twitter-pode-estar-nos-planos-de-investimentos-do-google/

LAGE, Nilson. A bolha ideológica. Santa Catarina, 2001

HABERMAS, Jürgen. In: MARQUES, Ângela C. S. Os meios de comunicação na esfera pública: novas perspectivas para as articulações entre diferentes arenas e atores. São Paulo, 2008

PORCELLO, Flávio. A. C. Mídia e poder: o que esconde o brilho luminoso da

tela da TV. 2006: Rio Grande do Sul

LASCH, Christopher. A rebelião das elites e a traição da democracia. Ediouro: 1995. Rio de Janeiro

Videografia

 _____________. Prometeus: A revolução da Mída. Acesso em 18 de junho de 2009. Disponível em http://www.youtube.com/watch?v=5SJup6CGiO4

Notas

 [1] Acesso em 18 de junho de 2009. Disponível em http://www.youtube.com/watch?v=5SJup6CGiO4

[2] Twitter pode estar nos planos de investimento do Goolge. Acesso em 20 de junho de 2009. Disponível em http://www.twitterbrasil.org/2009/02/26/twitter-pode-estar-nos-planos-de-investimentos-do-google/

por Keice G. Casarri

A palavra memória, vem do latim, que significa: faculdade de reter as idéias. Se lembrarmos das impressões que colhemos pelo dia-a-dia, entenderemos que memória não é só guardar fatos. Memória também é vivida. É representada por nossos sentidos e pelos sentidos daqueles que nos cercam. Quanto mais pessoal, menos socializada é a memória, mais distante e de difícil acesso será a sua atualização pela consciência.

A linguagem é o elemento mais socializador da memória e é através dela que nos identificamos dentro da sociedade, que modificamos e transformamos a nos mesmos e os que estão em nossa volta.

Na sociedade, o modo como nossa memória se organiza é influenciado pela mídia. A vida vivida, nossa realidade, e a vida através da “telinha” vão moldando os indivíduos. São gerados novos símbolos, costumes e valores. Uma nova gíria. Um novo gesto. Um novo jeito de agir.

Andréas Huyssen em Seduzidos pela Memória, diz: “Sabemos que a mídia não transporta a memória pública inocentemente; ela a condiciona na sua própria estrutura e forma”, faz parte da cultura do nosso país, como também passa a fazer parte interagir e aprender através da mídia.

Enquanto agente ativo, a mídia deixa vestígios, marcas e produtos (conteúdos) ao longo do tempo, mas hoje não mais se limita a ser apenas um meio que transmite a vida “gravada”, vai muito além. É busca, invenção e reinvenção. Nos deixa pensar e colaborar. Possibilita criar um obra coletiva que se faz e refaz ao logo das existências. Não é algo que se completa ou termina. É algo que se transforma e permanece.

por Mariana Primi Haas

A escolha desse tema foi feita por sua característica contemporânea. Não que os outros não o sejam, porém, a fabricação de notícias e a constante espetacularização dos fatos, na mídia brasileira, chama a minha atenção desde a graduação.

No mês de junho, por exemplo, aconteceu a queda do avião da Air France em Fernando de Noronha. Falou-se de toda a sorte de coisas, tudo poderia ter acontecido, todos poderiam ser culpados, enfim, tudo que se pudesse supor foi noticiado.

Todos os jornais publicaram a mesma notícia, repetidas vezes. Abria-se o jornal e era apenas esse o assunto. O mundo parou por alguns dias. Entrevistaram mãe, pai, avô, tios de décimo grau. Foram atrás da história de todos os que morreram naquele trágico acidente viraram celebridades póstumas, de um ato nada heróico.

Na hora me lembrei do título de um filme “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”, não pela história do filme, mas sim, pelo significado do título, são mentes mortas, que tiveram seus quinze minutos de fama.

Nada se resolveu do caso. A situação continua praticamente a mesma. Mas não se houve mais falar do caso. A história parece ter perdido seu tom dramático. Sua purpurina. Já foi explorado demais. Assim, ganharam as capas dos jornais outros dramas, outros acidentes.

Exatamente o que diz Kellmer em seu texto “cultura da mídia e triunfo do espetáculo”, quando lembra a importância da criação de histórias, fantasias e seus heróis. Heróis esses, datados, heróis do hoje, criados para preencher vazios nas vidas de seus espectadores.

por Danúbia Guimarães

A visão de Benjamin Barber a respeito do mundo atual remete a um grau extremo de globalização e ao mesmo tempo a supremacia norte-americana em todos os setores. Para o filósofo, a população que vive no McWorld é regida pelo consumismo, esse, instaurado com o objetivo de formar mercados globais e planetários, onde a moeda comum seria o dólar e a língua, o inglês.   

McWorld é  uma América que se projeta em um futuro moldado por forças econômicas, tecnológicas e ecológicas que exigem integração e uniformização. Um futuro reunindo todos os países em um vasto parque de temática mundial, colocado totalmente em rede pelas tecnologias da informação, pelas trocas comerciais e pela indústria do espetáculo. (BARBER, 2002: 42)

 Nesse sentido, Lasch critica não somente esse teor global do mercado em si, mas também chama a atenção para as expectativas das “inovações tecnológicas” presentes nesse mercado. Para ele, a principal consequência desse fenômeno “é ampliar o abismo entre a classe que detém o conhecimento e o resto da população, entre os que se sentem à vontade na nova era global, e os que se comprazem com as ideias de que a informação que flui até ele pode ser ainda maior” (1995: 188). 

 Barber, apesar de ter escrito sobre o tema muito antes da explosão da Internet e das grandes fusões, parece não estar errado, principalmente no que se refere à mídia, integrante ativa desse McWorld.  Visando o capital, grandes conglomerados têm buscado refúgio no mundo digital, abandonando à boa e velha forma de fazer notícia (TV, rádio e impresso migram para as redes). Não foi à toa que a revista Time fechou suas portas em 2007 e o jornal The New York Times decidiu vender sua TV no mesmo ano. A era dos mercados globais, sem dúvida, também alcançou a imprensa.

por Keice G. Casarri

A partir de hoje, a equipe do Mídia na Mira, começa a produzir o paper final da disciplina através do blog.

Cada um da equipe ficou responsável por abordar um tema/assunto, que foi escolhido individualmente. Conheça os eixos principais:

Carolina Waideman:
Modernidade, pós-modernidade: os tempos

Danúbia Guimarães: 
A cultura McWord

Diogo Ruic:
Caio Túlio: Porque a nova mídia é revolucionária?

Juliana Santini: 
A nova mídia: A comunicação de massa na era da informação

Keice G. Casarri:
Mídia e identidade: influência na formação da personalidade e comportamento

Keli Silveira:
Marcas e Corporações

Louise Pertusier:
Abordagem de Toscani

Mariana Primi Haas:
O jornalismo do espetáculo

Thaise Salzgeber:
Modernidade líquida

por Thaise Salzgeber

Por mais uma vez, a imprensa brasileira teve uma “impecável” atuação perante fatos que envolvem a vida humana.

No dia 31 de maio, um Airbus da companhia aérea Air France, que decolou por volta das 19h do aeroporto Tom Jobim, no Rio de Janeiro, com destino à Paris, sumiu dos radares na costa brasileira com 288 passageiros à bordo.

Sem mesmo terem sequer noção do que estava acontecendo, muitas emissoras de televisão, sites e revistas começaram a explorar a dor e o sofrimento alheio. Não se preocuparam em momento algum em noticiar fotos reais. Pelo contrário, começaram a tirar suas próprias conclusões, se importando apenas em ALARMAR UMA TRAGÉDIA, com especulações, suposições e puro sensacionalismo. Tudo por um bom índice de audiência.

A partir daí especialistas de todas as áreas apareceram para revelar as possíveis causas do acidente. Pessoas que por algum motivo “sobrenatural” não embarcaram, aproveitaram também para estrelar em seus 15 minutos de fama. Videntes ou qualquer outro expert em previsões para o futuro, afirmavam que já sabiam de tudo. O espetáculo começou e a dor e o sofrimento de parentes e amigos das vítimas foram jogados num canto qualquer.

Ainda em busca da tão desejada audiência, os meios começaram a expor a vida particular dos passageiros, com fotos e informações desnecessárias, como se divulgassem um release de um trágico filme.

Perante a essas atitudes, as mesmas dúvidas questionadas em outros momentos, como no caso escala base, Isabela Nardoni ou em tantos outros, volta a aparecer na mente de muita gente: Será que é o consumidor de informação que tem desejo de notícias trágicas ou a imprensa que se tornou popularesca?

Por Danúbia Guimarães

 

Até a vaca vai querer dar uma espiadinha

Até a vaca vai querer dar uma espiadinha

 

No próximo domingo, 31 de maio, estréia a mais “nova” atração da Record. Trata-se do reality show A Fazenda, uma versão caipira do bom e velho Big Brother Brasil, da emissora do Plim Plim. Serão 14 pseudo-celebridades que disputarão o prêmio de 1 milhão de reais, mas para isso, vão precisar se submeter a tarefas muito desafiadoras como tirar leite de vaca, arar a terra e afazeres ligados a vida num sítio.

Deixando a qualidade do programa e bom gosto de lado, o que para mim, são beeeeem questionáveis, a atração me fez refletir a respeito do último seminário apresentado, sobre o livro 1984. É incrível como a boa fórmula do estado de vigilância constante ainda dá ibope! Parece que assistir a vida alheia torna-se muito mais interessante do que a própria vida

Percebi também, que mais do que meramente acompanhar as aventuras dessas celebridades, o espectador acaba por assimilar algumas maneiras de agir e pensar. Confuso? Tomo como exemplo as flores gigantes que a Íris, do BBB não lembro qual, mas é até que recente, usava no cabelo. Aquilo virou moda fora da casa global! E não são apenas aspectos sem valor que se alteram com a exibição de programas no formato reality show. Juízos de valor e decência também são alterados, a ponto de já não ter mais problema um casal praticar sexo debaixo do edredom ao vivo ou alguém mentir, enganar, confabular, entre outros, para alcançar seus objetivos (leia-se ganhar uma bolada e permanecer “famoso”).

No fundo, no fundo, Renato Russo tinha razão em sua música Mais do Mesmo :

“Bondade sua me explicar com tanta determinação

Exatamente o que eu sinto, como penso e como sou

Eu realmente não sabia que eu pensava assim

E agora você quer um retrato do país

Mas queimaram o filme”

E como queimaram o filme! Esse é o puro sentimento que aqueles que não assistem a telinha com cuidado estão fadado a repetir. A TV tem esse sério defeito de querer influenciar nosso pensar e agir. Pior, e ainda nos faz crer, assim como o Grande Irmão, que sempre pensamos dessa forma!

Mas que venha A Fazenda, A Praia, O Serrado, ou o que mais for. No fundo, já não sabemos se o que a mídia nos oferece é ruim porque nós consumimos ou porque é da sua própria natureza mesmo…

A saída para esse círculo vicioso? Que tal o botão “desliga” do controle remoto?

por Mariana Primi Haas

E mais uma polêmica está no ar: a Reforma Política Brasileira. Pois é, parece que finalmente resolveram tirar esse projeto da gaveta. A idéia precípua é ou deve ser a maior clareza na ação política. Uma das ações seria o financiamento público de campanha. O critério de distribuição do dinheiro para os diretórios partidários será: 1% em parcelas iguais para todos existentes e 99% para os partidos com representação na Câmara dos Deputados, de acordo com o número de representantes na câmara.

Se é positivo ou negativo não cabe a mim dizer, no entanto é preciso lembrar que serão mais 1 bilhão de reais despendidos dos cofres públicos com esse fim. O que me veio à mente na hora em que soube desse valor exorbitante foi: de onde exatamente virá, que orçamento será prejudicado e perderá verba? Saúde, educação, meio ambiente?

Outro ponto importante é a questão do voto na legenda que deverá ser aprovado até outubro deste ano. Acho estranha essa proposta, já que o povo brasileiro não mantém relação ideológica com os partidos, mas sim, uma identificação pessoal com cada político.

Além do povo, os próprios políticos têm pouca fidelidade partidária, assim, é curioso pensar que o Brasil elegerá seus candidatos através apenas da legenda partidária. Com isso, pretendo mostrar que a Reforma Política vai além das leis eleitorais, transcende, passa pela questão da conscientização popular e de uma ideologia partidária bem definida. Quando tivermos esses dois pontos bem claros, podemos pensar em voto com lista fechada.

por Keice Casarri

Respeitável público….

Do desejo de ir além das nossas expectativas, de querer mais, produziu-se um espetáculo que conduziu o público a viajar no tempo. A proposta foi direcionada por um acontecimento marcante e importante na história do jornalismo brasileiro, o caso Escola Base.

Espetáculo falando sobre espetáculo. Foi assim o seminário realizado na última quarta-feira pela equipe do Mídia na Mira. Quando todos se dedicam e os esforços se complementam o final é surpreendente.

Parabéns a todos da equipe. Conseguimos!

O resumo da história

Slides da apresentação (aguarde carregar)

Vídeo documentário: parte 1 e parte 2

por Louise Pertusier

Em uma das aulas das aulas anteriores, um grupo apresentou um trabalho sobre O Cidadão Keane do Brasil.  Confesso que fiquei um pouco impressionada com o “negócio” Globo de Televisão, a ponto de ter sua própria loja virtual onde os telespectadores podem adquirir tudo o que é visto durante a programação da emissora.

Alguns dias depois, deparei-me com um vídeo no site YouTube que esclareceu  possíveis dúvidas que poderiam surgir na minha cabeça. Percebi que o que era vendido não só na loja virtual, mas também na programação da Rede Globo, não eram apenas objetos e sim um estilo de vida, um modo de comportamento; modo esse que foi previamente estipulado e definido pelo meio.

O formato é mais simples do que se imagina: as informações que são passadas para o telespectador em telejornais ou talk shows são mastigadas e televisionadas do jeito que se deseja a compreensão, o ideal de vida é passado pelas novelas, e para não ser hipócrita, também envolvem na trama problemas diversos, como doenças e disparidades sociais, o que de certo modo faz com que a população enxergue a existência deles, porém de uma forma muito caricaturada. Além disso, esse tipo de produção costuma lançar “moda”, a ponto de ser comercializados produtos indianos (remetendo a novela televisionada no horário nobre) para animais de estimação em lojas especializadas.

A partir disso, percebe-se que é mais fácil não fazer as pessoas pensarem muito, mantê-las entretidas para que não possa surgir questionamentos. A verdade absoluta é aquela que vem da televisão e chega a ser cômodo pensar que nossas vidas são guiadas e nem nos damos conta disso.

Nesse caso concordo com Ianni quando diz que o Príncipe Eletrônico a mídia que controla, registra e enfatiza o que quer. A mídia manipula? Sim. É tendenciosa? Também. Afinal, a TV que é real e nós que somos a ilusão?

 

por Keli Silveira

Vou começar escrevendo um texto sobre a minha relação com o Jornalismo. Em 1999, ainda nas primeiras aulas de Redação Jornalística, fui apresentada a uma certa “Verdade”, verdade esta, isenta de qualquer sombra de dúvidas… aprendi que o jornalista ao narrar um fato deve ser imparcial, objetivo e verdadeiro.  Comecei então a buscar esta imparcialidade nas reportagens de jornais, de revistas e nas dos noticiários. Decepcionei-me!

Passei a perceber que a escolha dos pontos relevante  mostrados ao  leitor, ao telespectador,  muitas vezes aparecia carregada de juízo de valor, da opinião daquele que o escreve, que o mostra.

Quando pude ir a campo, fui pautada pelo editor chefe e já sabia a quem procurar e qual era o meu propósito ali. Inicialmente, fui movida por uma paixão pela notícia, queria ser testemunha de um fato e a partir daí, contá-lo ao maior número de pessoas possível. Ao chegar ao local, pude ver e vivenciar  o ocorrido, empolguei-me; o texto “Barranquilla  e 50 anos de solidão”  de Walter Salles sobre a ida dele a Aracataca, depois de ouvir os conselhos de Gabriel García Márquez, ilustra bem o que é isso,  ter contato direto com o acontecimento,  traz à narração  um testemunho,  algo mais próximo da realidade.

Não basta ver temos que transcrever. Neste momento, precisamos selecionar dados, editar imagens e o repórter passa a contar com a ajuda  do seu superior imediato e do dono do veículo em que ele trabalha. A notícia que num primeiro momento era uma  “realidade”, passa a sofrer mudanças  e pode se tornar objeto de interesse,  de manipulação.

E por que não usar uma frase que alguém disse ou escreveu?  “Estamos, portanto no reino das aspas”,  e é bem o que acontece, torna-se fácil e descomprometido atribuir responsabilidade a outro, quando o que se exige é a objetividade, é a ausência de posicionamento.  Se seguirmos o que diz alguns manuais de redação, o  profissional deve contar uma história, deve fazê-lo de maneira neutra, desprovida de opinião pessoal e de interesses políticos e financeiros.

Para finalizar a minha trajetória junto ao exercício de minha profissão, vale ressaltar que a matéria “midia e poder” vem ao encontro do que posso chamar de “enxergar o que está entrelinhas”. Com o passar dos anos, deixei de ser simplesmente telespectadora e leitora, tendo minhas opiniões baseadas no senso comum,  e  depois de iniciada minha formação acadêmica em Comunicação Social,  além de adquirir embasamento teórico,  adquiri também,  a percepção de não  aceitar somente o que  me mostram, devo ir além, devo  buscar nos meios de comunicação informações que se aproximem do que realmente aconteceu,  porque em algumas situações, a verdade deixou de ser verdadeira há muito tempo. 

por Juliana Santini

 

O limite entre a realidade e ficção está se tornando cada vez mais estreito. O cinema consegue reunir diversos assuntos, seu poder e sua grande procura, estão diretamente relacionados a junção que consegue fazer do real com o imaginário.

 

Podemos considerar que o cineasta,às vezes, retrata casos reais, mas ao mesmo tempo tem em suas mãos o poder de construção da realidade e dessa forma consegue manipular sua matéria-prima em um produto audiovisual.

 

Há também, o efeito e a causa psicológica que o cinema exerce, seja ele baseado em realidade ou ficção.

 

Quando as pessoas procuram por um filme, fazem daquele momento uma reflexão e cada uma desenvolve uma ação específica. Algumas param para pensar na vida, fazem uma avaliação do seu comportamento. Outras se colocam no lugar das personagens e imaginam como seria sua trajetória, caso estivesse passando pela mesma situação abordada no filme.

 

Os filmes funcionam como próteses audiovisuais do corpo humano. Num primeiro momento são usadas para registrar, conhecer o ambiente, o comportamento e a saga da sociedade. Num momento posterior, transmite esse conhecimento adquirido para outras pessoas, num processo de compartilhamento de consciência e emoções.

 

Logo, se o círculo vicioso de registro, montagem e exibição audiovisual passa a fazer parte de um processamento de informações, sensações, emoções captadas e sentidas na “realidade”, pode certamente ser compartilhado entre roteirista, diretor e espectador.

 

Teoricamente, o cinema é por definição um processo ilusório. A partir do momento que é um conjunto de fotografias em movimento, compostas tecnicamente numa determinada velocidade e que nossa percepção as absorvem como seqüenciais, um filme é resultado da fabricação do imaginário de quem o criou – roteiro, personagens, cenários, diálogos, iluminação e determinou enquadramentos assim e não assado. Talvez por isso, poderíamos afirmar que cinema é ilusão, mas não basta divagarmos sobre o senso comum.

 

Parece que cinema é ao mesmo tempo realidade e ilusão, pois não existe nenhum filme que seja desprovido do real ou outro que seja totalmente ilusório. Há ao longo do processo de construção,  várias interferências na realidade concreta das coisas e na vida real, que são maiores do que se vê na tela do cinema.

por Danúbia Guimarães

Não há duvida quanto à imensa repercussão causada pela apresentação da escocesa Susan Boyle no reality show britânico Britain’s got talent. As características nada comuns no meio televisivo unidas a uma voz de tirar o fôlego renderam à senhora gordinha e desengonçada de 47 anos aplausos e mais de 100 milhões de acessos no Youtube.

Com a fama meteórica e repentina, já era de se esperar que Boyle se tornasse favorita à vencedora do programa, se não fossem alguns detalhes que muito tem a ver com uma velha conhecida: a publicidade. Poucos dias depois de sua apresentação, Boyle resolveu curvar-se aos esteriótipos de beleza e apareceu totalmente repaginada. O que tanto havia chamado a atenção do público, já não poderá mais ser visto. Susan foi corrompida e abandonou seu estilo “jeca” por um look mais contemporâneo, com direito a maquiagem, pintura nos cabelos e casaco de couro.

Oliviero Toscani, na obra A Publicidade é um Cadáver que nos Sorri, deixa muito claro a idéia implantada pela propaganda de que apenas as pessoas bonitas são felizes e bem-sucedidas. O autor chama a atenção para os comerciais de TV e a ausência de pessoas fora do padrão, como desempregados, ladrões, gordos, barrigudos, entediados, pobres, entre outros.

Susan Boyle chamou a atenção do mundo não apenas por ter uma belíssima voz, mas por ter sido ela mesma, algo cada vez mais raro na mídia, e que, infelizmente, é provável que não seja mais visto em suas próximas apresentações. O mais sórdido disso tudo, porém, é que todas essas mudanças podem ser em vão. Isso porque, nesta semana, a escocesa ganhou uma nova concorrente, a pequena Hollie Steel , de 10 anos. A menina encantou os jurados e o público, quando vestida de bailarina, deixou todos boquiabertos ao cantar I Could have Danced all Night, do musical My fair lady.

Hollie não precisará passar por grandes transformações estéticas, a menina já é incrivelmente bela, e tem a seu favor a pouquíssima idade para uma voz tão madura. Há quem acredite, inclusive, em sua vitória como certa. Ao analisar esses dois casos, o que me vem à mente é a acusação de Toscani que aponta a publicidade como mentirosa. O autor defende que a propaganda seduz as pessoas com “modelos de existências cujo padrão exige uma renovação constante”, o que torna inalcançável qualquer conceito de beleza e sucesso.

 

 

Caso se confirme a vitória de Hollie, ficará mais uma vez claro o porquê Toscani é tão duro em suas acusações. A publicidade e toda a mídia, são, sem sombra de dúvida, cadáveres que sorriram para Boyle.

 

por Diogo Ruic

17 de abril ficou lembrado como uma das ações mais violentas da polícia brasileira – comparada, não em número, mas em desproporcionalidade de força utilizada, com a ação no Carandiru, por exemplo. 17 de abril de 1996 foi a data em que 155 policiais assassinaram 19 integrantes do Movimento Sem-Terra (MST) e feriram outros 69, em Eldorado dos Carajás, no Pará, levando o Brasil às páginas internacionais.


17 de abril de 2009 foi a data em que a mídia brasileira perdeu uma nova oportunidade de cobrar as autoridades – mais de 140 incriminados ainda não foram julgados – e informar a sociedade sobre o andamento dos assentamentos país afora. Na verdade, a
imprensa nacional se limitou a informar nova confusão na região (link restrito a assinante UOL ou Folha), onde o MST voltou, para desta vez ocupar a fazenda de Daniel Dantas, banqueiro de larga ficha policial.

A própria Folha de S. Paulo relata que o Estado é hoje “uma das principais fronteiras agropecuárias do país, sendo alvo da cobiça de grandes grupos, o que torna cada vez mais escassas as áreas passíveis de desapropriação para reforma agrária.”

A cobertura dos movimentos sociais pela grande imprensa é um assunto tão delicado que o jornalista José Arbex, em seu livro “O jornalismo canalha – a promíscua relação entre mídia e poder”, dedica um capítulo inteiro ao tema. “O processo de ‘criminalização’ dos movimentos sociais não é um fenômeno recente na América Latina, e menos ainda no Brasil. Ao contrário, o jornalismo moderno brasileiro, por exemplo, foi marcado, desde sua origem, por uma explicita hostilidade para com as organizações populares.” (ARBEX, 2004).

Faltou aí uma cobertura mais profunda dos fatos, esclarecendo ao leitor e a sociedade o que foi o 17 de abril, como anda hoje o movimento, seus defeitos e qualidades. O MST, ao mesmo tempo em que erra e se excede, não deixa por isso de ser um importante movimento para reforma agrária no Brasil. Essa cobertura imparcial, livre de ideologias, ainda me parece em falta na mídia que, por hora, prefere apenas a criminalização (vide vídeo gravado sob o ponto de vista dos seguranças - e o poder que tal posicionamento exerce sobre o espectador - além da construção da notícia, desde a imagem que acompanha a apresentadora Sandra [sombras furiosas quebrando uma cerca] até a irrelevância do fato que antecedeu a invasão - que mesmo assim não me pareceu justificável

 

 

Esquecer de trazer o passado ao presente, sempre que possível, é resgatar a possibilidade de erramos também no futuro.

por Keice G. Casarri

Mídias sociais são ferramentas online projetadas para permitir a interação social a partir do compartilhamento e da criação colaborativa de informação nos mais diversos formatos.

Essas mídias abrangem diversas atividades que integram tecnologia, interação social e aconstrução de palavras, fotos, vídeos e áudios. Esta interação e a maneira que a informação é apresentada dependem das várias perspectivas de quem compartilhou o conteúdo, já que este conteúdo é parte de sua história e entendimento de mundo.

Novas ferramentas de mídias sociais vêm surgindo e se estabelecendo, passam por mutações naturais, como os blogs que nasceram como diários virtuais e tiveram sua natureza diversificada com o tempo, a ponto de se tornarem, inclusive, instrumentos de efetiva geração de negócios.

Liberdade de comunicação interativa, é a base da receita para que as plataformas de mídias sociais possam ser classificadas como uma das mais influentes formas de mídia até hoje criada.

Assista o video para conhecer um pouco da história do “sorvete social” e conhecer melhor o processo de redes de mídias sociais. É fácil perceber como elas podem ser utéis.

 

por Carolina Waideman

Os EUA têm firmado a sua hegemonia infiltrando sua cultura, seus produtos e seu ideal de poder em outras partes do mundo, assim como Alexandre, O Grande disseminava a cultura helenística nos povos que conquistava – ou pelo menos conseguia com sucesso se inserir em culturas e mitologias de outros povos.

Da mesma forma, o American Way of Life, o estilo de vida norte-americano, de cunho extremamente nacionalista, se infiltra na cultura do local e se adapta para fazer com que o povo “conquistado” aja segundo sua vontade sem ao menos ter essa consciência, achando que age de forma genuína a seu país. E, quando não, eles tentam se impor.

Exemplo mais que em voga é a situação de Cuba. Essa semana, o presidente Obama tomou a decisão de permitir que cidadãos cubano-americanos viajem livremente a Cuba e que mandem qualquer quantia de dinheiro a sua família na ilha (antes limitada a US$ 1.500,00 ao ano). Atitudes, como disse Fidel Castro, “positivas, mas mínimas” frente ao maior problema cubano: o embargo dos EUA à entrada de seus produtos na ilha – problema que se arrasta desde 1962, com o intuito de fazer Cuba deixar de ser socialista.

Questões ideológicas e políticas à parte, a postura norte-americana (ou estadunidense) mostra-se audaciosa a ponto de eles considerarem que, disseminando a cultura da democracia americana para os “povos bárbaros” (ou seja, aqueles que não falam inglês), estão fazendo um favor a Cuba, apesar de o país já ter mostrado não ter o menor interesse em deixar a política socialista.

Esse posicionamento americano é o mesmo de um outro império, o Império Romano, com relação aos povos que não falavam Latim. Será que eles sabem qual foi o desfecho? 

 O texto abaixo chegou por e-mail a um dos integrantes da equipe do Mídia na Mira. O texto brinca, metaforicamente, com a questão do poder que a mídia tem para modificar e adequar as notícias conforme sua necessidade.

 

por Autor desconhecido

 

Estudo de caso: Chapeuzinho Vermelho

 

JORNAL NACIONAL

(William Bonner): “Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo que usava a camisa do MST, na noite de ontem…”

(Fátima Bernardes): “… mas a atuação de um caçador filiado ao PSDB evitou uma tragédia.”

 

FANTÁSTICO

(Glória Maria): “… que gracinha, gente. Vocês não vão acreditar, mas essa menina linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo, não é mesmo?”

 

CIDADE ALERTA

(Datena): “… onde é que a gente vai parar, cadê as autoridades? Cadê as autoridades?! A menina ia para a casa da avozinha a pé! Não tem transporte público! Não tem transporte público! E foi devorada viva… Um lobo, um lobo safado. Põe na tela! Porque eu falo mesmo, não tenho medo de lobo, não tenho medo de lobo, não.”

 

REVISTA VEJA

O Governo Lula sabia das intenções do lobo e não fez nada.

 

REVISTA CLÁUDIA

Como chegar à casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho.

 

REVISTA NOVA

Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama.

 

FOLHA DE S. PAULO

Legenda da foto: “Chapeuzinho, à direita, aperta a mão de seu salvador, o governador José Serra.”

Na matéria, box com um zoólogo explicando os hábitos alimentares dos lobos e um imenso infográfico mostrando como Chapeuzinho foi devorada pelo lobo do PT e depois salva pelo lenhador filiado ao PSDB.

 

O ESTADO DE S. PAULO

Lobo que devorou Chapeuzinho seria filiado ao PT.

 

O GLOBO

Petrobrás deu dinheiro ao lobo ligado ao PT que quase devorou o lenhador.

 

ZERO HORA

Avó de Chapeuzinho nasceu no Rio Grande do Sul.

 

AQUI

Sangue e tragédia na casa da vovó

 

REVISTA CARAS (Ensaio fotográfico com Chapeuzinho na semana seguinte)

Na banheira de hidromassagem, Chapeuzinho fala a CARAS: “Até ser devorada, eu não dava valor para

muitas coisas da vida. Hoje sou outra pessoa.”

 

PLAYBOY (Ensaio fotográfico no mês seguinte)

Veja o que só o lobo viu.

 

REVISTA ISTO É

Gravações revelam que lobo foi assessor de político influente do PT.

 

G MAGAZINE (Ensaio fotográfico com o lenhador)

Lenhador mostra o machado.

 

E você, como noticiaria o fato?

chapeuzinhocrédito: My Dear Delilah/Flickr

por Danúbia Guimarães

 A constante e interminável obsessão pela modernizacão é um indício claro da sociedade líquida, como já discutimos anteriormente. Essa busca, por vezes, doentia da satisfação própria pode ser observada no noticiário nacional, passando muitas vezes, despercebida. Este é o caso da nova lei que substitui o vestibular pelo Enem e unifica o processo seletivo nas universidades federais e instituições estaduais. A partir deste ano, os alunos poderão concorrer em até cinco universidades utilizando a mesma prova.

 

É evidente a desnecessidade de ser candidato a tantas universidades federais, mas devido ao fato delas serem as melhores, além de gratuitas, torna a procura muito maior que a oferta. Afinal, quem não gostaria de ser formado pela melhor universidade do Brasil? Vale lembrar que as exigências do mercado de trabalho não tem parado por aí. Logo depois da graduação, podemos optar pela pós-graduação ou mestrado, e em seguida, vem o doutorado, pós-doutorado, livre-docência e a lista vai longe…

 

Foi-se o tempo em que ter um curso superior era sinônimo de destaque e reconhecimento. Mas não é só na área da educacional que as cobranças pela “conquista do reino” são notadas. O mercado da estética tem crescido e faturado horrores, com perdão ao trocadilho. Tanto, que alguns extremos de busca pelo belo viraram notícia justamente pelo contrário! O que dizer das dezenas de cirurgias plásticas feitas por celebridades como Michael Jackson? A insatisfação pessoal parece mesmo não ter limites, nem fim.

por Thaise Salzgeber

 

“Fatos” e “notícias” não existem por si só, como entidades “naturais”. Ao contrário, são designados por alguém (por exemplo, por um editor), por motivos (culturais, sociais, econômicos, políticos) que nem sempre são óbvios. Mas essa operação fica oculta sob o manto mistificador da suposta “objetividade jornalística” (ARBEX, 2001, p. 111).

 

No dia 27 de março de 1994, as mães de Fábio e Carla, ambos com quatro anos na época, foram à 6º DP, no Cambuci, bairro da zona sul de São Paulo, para registrar uma queixa contra os diretores da Escola de Educação Infantil Base.

 

Segundo as mães das crianças, Icushiro e Aparecida Shimada e Maurício e Paula Alvarenga, os donos da escola, organizavam orgias sexuais com os alunos durante o horário das aulas. Segundo relato, as crianças eram levadas à casa do coleguinha Ronaldo, de quatro anos, filho do casal Saulo e Mara Nunes, na Kombi de Maurício.

 

O delegado Antonino Primante assumiu o caso e, após encaminhar as duas crianças para exame de corpo de delito no IML (Instituto Médico Legal), conseguiu um mandato de busca e apreensão no apartamento dos pais de Ronaldo, porém não encontrou nada além de uma fita de vídeo com o show do cantor Fábio Júnior. A escola também foi revirada e novamente não foi encontrada nenhuma prova.

 

A essa altura, a imprensa já sabia sobre o caso.  Achando que não havia recebido a atenção necessária, Cléa, mãe de Carla, entrou em contato com a Rede Globo. Naquela mesma noite, o Jornal Nacional noticiava o acontecido. Mesmo com nada realmente comprovado, todos os grandes veículos de São Paulo abraçaram a denúncia e deram manchete sobre o caso. Notícias que resultaram na depredação da escola e também no linchamento moral dos envolvidos.

 

Depois de alguns dias, novas denúncias surgiram. Jornais sugeriram o consumo de drogas durante as supostas orgias e a possibilidade de contágio com o vírus HIV em decorrência dos abusos. A essa altura, o caso já havia tomado dimensões estratosféricas. Novamente, a Base é saqueada. A casa de Maurício e Paula também.

 

Para quebrar o silêncio, Icushiro, Cida e Paula resolvem falar à imprensa. Mas a percepção do erro veio tarde. O delegado já havia ganhado bastante espaço e era amparado em qualquer atitude que tomasse. Sendo assim, ele decretou a prisão preventiva de todos os suspeitos. A advogada do casal Saulo e Mara teve acesso ao resultado do IML, que constava como inconclusivo.

 

Primante foi afastado do caso, e em seu lugar assumiram Jorge Carrasco e Gérson de Carvalho. A investigação foi reiniciada com o intuito de finalmente explicar o caso.

Novo revés. A partir de uma denuncia anônima, a casa do americano Richard Pedicini foi invadida pela polícia; e ele, preso por pedofilia. Pedicini seria o contato internacional dos molestadores da Base, promovendo orgias em seu casarão e filmando e fotografando crianças de várias idades. Mais uma vez, a imprensa se apressou e colocou Pedicini como vilão da história. Nada ficou provado. Gérson de Carvalho desmentiu a ligação e absolveu o americano. O delegado também inocentou os seis acusados e o inquérito do Caso Escola Base foi arquivado.

 

A conclusão: Se houve crime, ocorreu em outro lugar, com outros personagens. Os acusados, apesar da absolvição legal, nunca mais tiveram paz em suas vidas.

 

Com exceção da Folha de S.Paulo, nenhuma rede de televisão, rádio ou impresso se retratou formalmente pelos erros cometidos nem procurou tocar no assunto.

 

por Keice G. Casarri

A modernidade líquida é marcada por facilitar as distâncias físicas e valorizar o poder de consumo, mas há outro fator primordial que emerge dessa sociedade: a presença da mídia nas construções de identidade e nas relações sociais.

 

Um efeito interessante é o que causa a telenovela brasileira. A relação personagem de novela versus público é digna de discussões. Não é raro ver pessoas nas ruas com roupas semelhantes às que uma determinada personagem usou no capítulo do dia anterior, mas a mídia não vende apenas moda, vende comportamentos, percepções e ideologias. As personagens são construtoras de identidades e os indivíduos costumam se projetar, partilham desejos, hábitos e até costumes.

 

A mania de imitar personagens é uma das provas de que na sociedade líquido-moderna a identidade não é fixa e que o indivíduo assume diferentes papéis a todo o momento. Nesse cenário, uma pergunta ecoa: como ficam as relações humanas? O resultado não poderia ser outro: sofrem.

 

Assim como as identidades, os vínculos entre os seres humanos se tornam mais frágeis. As relações são descartáveis e substituíveis. São mais efêmeras e rapidamente abandonadas por outras mais convenientes.

 

A humanidade têm agido a partir dos significados que a mídia lhes oferece. É através dela que cada um de nós tem retirado a maior parte do conteúdo que usa para a construir sua identidade.

 

A metáfora proposta pelo filme Alexandre, O Grande, é bem pertinente para tratar esse assunto. Lutamos para conquistar nosso reino, mas é como se usássemos várias máscaras durante o combate. Ao fim, talvez tenhamos um reino, mas que tipo de rei seria? Aquele moldado através dos nossos próprios valores e crenças ou um sujeito criado a partir de meras cópias do que nos é apresentado no dia-a-dia?

Herdeiros de Alexandre…

por Danúbia Guimarães

 

A coluna do dia 26/03 do jornalista Alberto Dimenstein, na folhaonline, levanta uma questão muito relevante a respeito do “pão e circo” orquestrado pela imprensa sobre o caso Daslu. No texto, ele defende a punição de Eliana Tranchesi, assim como para qualquer outro que comete um crime, mas critica a espetacularização midiática em cima do fato.

 

É realmente de parar para se pensar a respeito. Os meios de comunicação claramente crucificaram a dona da famosa loja paulistana, sem, contudo, dar espaço para o outro lado. Destacaram o fato de que mesmo pessoas poderosas e ricas vão para a cadeia, e pouco noticiaram, por exemplo, sobre as manifestações em apoio à empresária realizadas por um grupo de mães carentes beneficiadas por um projeto social desenvolvido por Tranchesi.

 

Longe de querer defender a dona da Daslu, vale a reflexão: a imprensa cumpriu seu papel de informar com objetividade? Ou assumiu uma posição maniqueísta do fato? No fim das contas, Tranchesi já foi solta e em pouco tempo será suplantada por um outro escândalo qualquer, enquanto a mídia acabou perdendo uma boa oportunidade de debater questões importantes sobre a distribuição de renda, penalidade, sonegação fiscal etc. Muito barulho foi feito por quase nada, demonstrando apenas que a Justiça Brasileira está cada vez mais refém da imprensa, que, por vezes, pressiona, distorce, manipula e cobra atitudes desmedidas e precipitadas das autoridades.

 

38 horas depois…

 


 

por Danúbia Guimarães

 O site Observatório da Imprensa traz um artigo que, no mínimo, intriga os defensores da internet livre. Intitulado “O Grande irmão quer cuidar da internet”, o texto explica como o governo brasileiro pretende controlar os acessos de seus internautas, algo que contradiz os direitos de liberdade de expressão e privacidade.

Segundo algumas modificações propostas pelo Ministério da Justiça, o projeto de lei quer obrigar os provedores de acesso a armazenar os dados de conexão dos usuários por até 3 meses, o que inclui data e horário de logon e logoff, relação de sites visitados, número de CPF e nome completo do usuário.

Antes que muitos pensem que o Brasil está cometendo um retrocesso, temos de lembrar que o País segue uma infeliz tendência mundial, liderada por nações de 1º mundo como Estados Unidos, França e Espanha. É também interessante observar que, em uma sociedade que prega cada vez mais valores de liberdade (o direito de mudar de operadora de celular sem ônus é um bom exemplo), exista o desejo do controle. Por essas e outras atitudes universais e contraditórias que o surgimento da chamada planetarização típica da sobremodernidade exposta por Marc Auge seja inevitável.

Estado de vigilância, será?

 

 

por Keice G. Casarri

Sejam bem-vindos ao blog. Aqui será possível conferir as impressões da equipe sobre Mídia & Poder. Textos, imagens, vídeos e tudo de interessante que surgir sobre o objeto de análise. Fiquem à vontade para comentar!!!

Para iniciar as atividades, um texto de Carlos Drummond de Andrade e um questionamento: será que somos mídia ambulante?

 

EU ETIQUETA

Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome… estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, permência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer principalmente.)
E nisto me comparo, tiro glória
De minha anulação.
Não sou – vê lá – anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
Meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto, cada olhar
Cada vinco da roupa
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
Que se oferece como signo dos outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente