por Diogo Ruic
Os 15 sites mais visitados do mundo têm como principal características o compartilhamento da informação e a interação. E apenas cerca de 10% entre os 100 mais vistos não possuem essas premissas. Isso, definitivamente, não é pouco – falamos de uma audiência de mais de 1 bilhão de pessoas. No Brasil, 15 milhões de pessoas estão conectadas, enquanto a tiragem dos jornais tupiniquins não alcança a casa dos 5 milhões. Parte disso é cultural – temos uma população ainda pouco letrada – e a outra parte, mesmo que ainda pequena, é da própria “velha mídia”. 
“O ambiente de interação e de inter-relacionamento é desprezado, e a nova mídia é usada para prosseguir no caminho da unidirecionalidade. A produção de entretenimento ou de jornalismo é despejada no internauta da mesma forma como é derramada pelos veículos impressos”. – Caio Túlio Costa.
Espaço de reflexão, os jornais impressos não têm demonstrado a mesma habilidade que os tornou sinônimo de jornalismo nas últimas décadas com a web. Informação paga na internet, experiências pouco revolucionárias nos sites, enfim, o impresso está apanhando. E nem mesmo os números que mostram um aumento percentual nas tiragens no Brasil não podem ser compreendidos como uma retomada de espaço, senão como um suspiro da força de grandes corporações aliada à fidelidade de alguns milhares de leitores. O problema é que eles não iram durar muito e avanços para conquistar a nova geração conectada tem passos tímidos.
Talvez tudo isso ainda esteja ligado a incompreensão de alguns setores da mídia das vantagens da participação aberta. E isso não chega nem perto de interações em programas de TV: “Mande um e-mail e escolha o vencedor da prova”. Senhores, isso não é interação, não como 1 bilhão de pessoas já entendem ser. Se não faz parte de determinada linha editorial a participação com “jornalistas cidadãos”, o aumento das possibilidades interativas deve ser vista como premissa. Caso contrário, quando quem cresceu com jornais em cima da mesa da sala perder o interesse pela informação, não serão as crianças conectadas mundo afora que irão buscá-lo na banca.