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Archive for the ‘Mídia & Poder’ Category

por Thaise Salzgeber

Por mais uma vez, a imprensa brasileira teve uma “impecável” atuação perante fatos que envolvem a vida humana.

No dia 31 de maio, um Airbus da companhia aérea Air France, que decolou por volta das 19h do aeroporto Tom Jobim, no Rio de Janeiro, com destino à Paris, sumiu dos radares na costa brasileira com 288 passageiros à bordo.

Sem mesmo terem sequer noção do que estava acontecendo, muitas emissoras de televisão, sites e revistas começaram a explorar a dor e o sofrimento alheio. Não se preocuparam em momento algum em noticiar fotos reais. Pelo contrário, começaram a tirar suas próprias conclusões, se importando apenas em ALARMAR UMA TRAGÉDIA, com especulações, suposições e puro sensacionalismo. Tudo por um bom índice de audiência.

A partir daí especialistas de todas as áreas apareceram para revelar as possíveis causas do acidente. Pessoas que por algum motivo “sobrenatural” não embarcaram, aproveitaram também para estrelar em seus 15 minutos de fama. Videntes ou qualquer outro expert em previsões para o futuro, afirmavam que já sabiam de tudo. O espetáculo começou e a dor e o sofrimento de parentes e amigos das vítimas foram jogados num canto qualquer.

Ainda em busca da tão desejada audiência, os meios começaram a expor a vida particular dos passageiros, com fotos e informações desnecessárias, como se divulgassem um release de um trágico filme.

Perante a essas atitudes, as mesmas dúvidas questionadas em outros momentos, como no caso escala base, Isabela Nardoni ou em tantos outros, volta a aparecer na mente de muita gente: Será que é o consumidor de informação que tem desejo de notícias trágicas ou a imprensa que se tornou popularesca?

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Por Danúbia Guimarães

 

Até a vaca vai querer dar uma espiadinha

Até a vaca vai querer dar uma espiadinha

 

No próximo domingo, 31 de maio, estréia a mais “nova” atração da Record. Trata-se do reality show A Fazenda, uma versão caipira do bom e velho Big Brother Brasil, da emissora do Plim Plim. Serão 14 pseudo-celebridades que disputarão o prêmio de 1 milhão de reais, mas para isso, vão precisar se submeter a tarefas muito desafiadoras como tirar leite de vaca, arar a terra e afazeres ligados a vida num sítio.

Deixando a qualidade do programa e bom gosto de lado, o que para mim, são beeeeem questionáveis, a atração me fez refletir a respeito do último seminário apresentado, sobre o livro 1984. É incrível como a boa fórmula do estado de vigilância constante ainda dá ibope! Parece que assistir a vida alheia torna-se muito mais interessante do que a própria vida

Percebi também, que mais do que meramente acompanhar as aventuras dessas celebridades, o espectador acaba por assimilar algumas maneiras de agir e pensar. Confuso? Tomo como exemplo as flores gigantes que a Íris, do BBB não lembro qual, mas é até que recente, usava no cabelo. Aquilo virou moda fora da casa global! E não são apenas aspectos sem valor que se alteram com a exibição de programas no formato reality show. Juízos de valor e decência também são alterados, a ponto de já não ter mais problema um casal praticar sexo debaixo do edredom ao vivo ou alguém mentir, enganar, confabular, entre outros, para alcançar seus objetivos (leia-se ganhar uma bolada e permanecer “famoso”).

No fundo, no fundo, Renato Russo tinha razão em sua música Mais do Mesmo :

“Bondade sua me explicar com tanta determinação

Exatamente o que eu sinto, como penso e como sou

Eu realmente não sabia que eu pensava assim

E agora você quer um retrato do país

Mas queimaram o filme”

E como queimaram o filme! Esse é o puro sentimento que aqueles que não assistem a telinha com cuidado estão fadado a repetir. A TV tem esse sério defeito de querer influenciar nosso pensar e agir. Pior, e ainda nos faz crer, assim como o Grande Irmão, que sempre pensamos dessa forma!

Mas que venha A Fazenda, A Praia, O Serrado, ou o que mais for. No fundo, já não sabemos se o que a mídia nos oferece é ruim porque nós consumimos ou porque é da sua própria natureza mesmo…

A saída para esse círculo vicioso? Que tal o botão “desliga” do controle remoto?

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por Mariana Primi Haas

E mais uma polêmica está no ar: a Reforma Política Brasileira. Pois é, parece que finalmente resolveram tirar esse projeto da gaveta. A idéia precípua é ou deve ser a maior clareza na ação política. Uma das ações seria o financiamento público de campanha. O critério de distribuição do dinheiro para os diretórios partidários será: 1% em parcelas iguais para todos existentes e 99% para os partidos com representação na Câmara dos Deputados, de acordo com o número de representantes na câmara.

Se é positivo ou negativo não cabe a mim dizer, no entanto é preciso lembrar que serão mais 1 bilhão de reais despendidos dos cofres públicos com esse fim. O que me veio à mente na hora em que soube desse valor exorbitante foi: de onde exatamente virá, que orçamento será prejudicado e perderá verba? Saúde, educação, meio ambiente?

Outro ponto importante é a questão do voto na legenda que deverá ser aprovado até outubro deste ano. Acho estranha essa proposta, já que o povo brasileiro não mantém relação ideológica com os partidos, mas sim, uma identificação pessoal com cada político.

Além do povo, os próprios políticos têm pouca fidelidade partidária, assim, é curioso pensar que o Brasil elegerá seus candidatos através apenas da legenda partidária. Com isso, pretendo mostrar que a Reforma Política vai além das leis eleitorais, transcende, passa pela questão da conscientização popular e de uma ideologia partidária bem definida. Quando tivermos esses dois pontos bem claros, podemos pensar em voto com lista fechada.

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por Louise Pertusier

Em uma das aulas das aulas anteriores, um grupo apresentou um trabalho sobre O Cidadão Keane do Brasil.  Confesso que fiquei um pouco impressionada com o “negócio” Globo de Televisão, a ponto de ter sua própria loja virtual onde os telespectadores podem adquirir tudo o que é visto durante a programação da emissora.

Alguns dias depois, deparei-me com um vídeo no site YouTube que esclareceu  possíveis dúvidas que poderiam surgir na minha cabeça. Percebi que o que era vendido não só na loja virtual, mas também na programação da Rede Globo, não eram apenas objetos e sim um estilo de vida, um modo de comportamento; modo esse que foi previamente estipulado e definido pelo meio.

O formato é mais simples do que se imagina: as informações que são passadas para o telespectador em telejornais ou talk shows são mastigadas e televisionadas do jeito que se deseja a compreensão, o ideal de vida é passado pelas novelas, e para não ser hipócrita, também envolvem na trama problemas diversos, como doenças e disparidades sociais, o que de certo modo faz com que a população enxergue a existência deles, porém de uma forma muito caricaturada. Além disso, esse tipo de produção costuma lançar “moda”, a ponto de ser comercializados produtos indianos (remetendo a novela televisionada no horário nobre) para animais de estimação em lojas especializadas.

A partir disso, percebe-se que é mais fácil não fazer as pessoas pensarem muito, mantê-las entretidas para que não possa surgir questionamentos. A verdade absoluta é aquela que vem da televisão e chega a ser cômodo pensar que nossas vidas são guiadas e nem nos damos conta disso.

Nesse caso concordo com Ianni quando diz que o Príncipe Eletrônico a mídia que controla, registra e enfatiza o que quer. A mídia manipula? Sim. É tendenciosa? Também. Afinal, a TV que é real e nós que somos a ilusão?

 

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por Juliana Santini

 

O limite entre a realidade e ficção está se tornando cada vez mais estreito. O cinema consegue reunir diversos assuntos, seu poder e sua grande procura, estão diretamente relacionados a junção que consegue fazer do real com o imaginário.

 

Podemos considerar que o cineasta,às vezes, retrata casos reais, mas ao mesmo tempo tem em suas mãos o poder de construção da realidade e dessa forma consegue manipular sua matéria-prima em um produto audiovisual.

 

Há também, o efeito e a causa psicológica que o cinema exerce, seja ele baseado em realidade ou ficção.

 

Quando as pessoas procuram por um filme, fazem daquele momento uma reflexão e cada uma desenvolve uma ação específica. Algumas param para pensar na vida, fazem uma avaliação do seu comportamento. Outras se colocam no lugar das personagens e imaginam como seria sua trajetória, caso estivesse passando pela mesma situação abordada no filme.

 

Os filmes funcionam como próteses audiovisuais do corpo humano. Num primeiro momento são usadas para registrar, conhecer o ambiente, o comportamento e a saga da sociedade. Num momento posterior, transmite esse conhecimento adquirido para outras pessoas, num processo de compartilhamento de consciência e emoções.

 

Logo, se o círculo vicioso de registro, montagem e exibição audiovisual passa a fazer parte de um processamento de informações, sensações, emoções captadas e sentidas na “realidade”, pode certamente ser compartilhado entre roteirista, diretor e espectador.

 

Teoricamente, o cinema é por definição um processo ilusório. A partir do momento que é um conjunto de fotografias em movimento, compostas tecnicamente numa determinada velocidade e que nossa percepção as absorvem como seqüenciais, um filme é resultado da fabricação do imaginário de quem o criou – roteiro, personagens, cenários, diálogos, iluminação e determinou enquadramentos assim e não assado. Talvez por isso, poderíamos afirmar que cinema é ilusão, mas não basta divagarmos sobre o senso comum.

 

Parece que cinema é ao mesmo tempo realidade e ilusão, pois não existe nenhum filme que seja desprovido do real ou outro que seja totalmente ilusório. Há ao longo do processo de construção,  várias interferências na realidade concreta das coisas e na vida real, que são maiores do que se vê na tela do cinema.

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por Danúbia Guimarães

Não há duvida quanto à imensa repercussão causada pela apresentação da escocesa Susan Boyle no reality show britânico Britain’s got talent. As características nada comuns no meio televisivo unidas a uma voz de tirar o fôlego renderam à senhora gordinha e desengonçada de 47 anos aplausos e mais de 100 milhões de acessos no Youtube.

Com a fama meteórica e repentina, já era de se esperar que Boyle se tornasse favorita à vencedora do programa, se não fossem alguns detalhes que muito tem a ver com uma velha conhecida: a publicidade. Poucos dias depois de sua apresentação, Boyle resolveu curvar-se aos esteriótipos de beleza e apareceu totalmente repaginada. O que tanto havia chamado a atenção do público, já não poderá mais ser visto. Susan foi corrompida e abandonou seu estilo “jeca” por um look mais contemporâneo, com direito a maquiagem, pintura nos cabelos e casaco de couro.

Oliviero Toscani, na obra A Publicidade é um Cadáver que nos Sorri, deixa muito claro a idéia implantada pela propaganda de que apenas as pessoas bonitas são felizes e bem-sucedidas. O autor chama a atenção para os comerciais de TV e a ausência de pessoas fora do padrão, como desempregados, ladrões, gordos, barrigudos, entediados, pobres, entre outros.

Susan Boyle chamou a atenção do mundo não apenas por ter uma belíssima voz, mas por ter sido ela mesma, algo cada vez mais raro na mídia, e que, infelizmente, é provável que não seja mais visto em suas próximas apresentações. O mais sórdido disso tudo, porém, é que todas essas mudanças podem ser em vão. Isso porque, nesta semana, a escocesa ganhou uma nova concorrente, a pequena Hollie Steel , de 10 anos. A menina encantou os jurados e o público, quando vestida de bailarina, deixou todos boquiabertos ao cantar I Could have Danced all Night, do musical My fair lady.

Hollie não precisará passar por grandes transformações estéticas, a menina já é incrivelmente bela, e tem a seu favor a pouquíssima idade para uma voz tão madura. Há quem acredite, inclusive, em sua vitória como certa. Ao analisar esses dois casos, o que me vem à mente é a acusação de Toscani que aponta a publicidade como mentirosa. O autor defende que a propaganda seduz as pessoas com “modelos de existências cujo padrão exige uma renovação constante”, o que torna inalcançável qualquer conceito de beleza e sucesso.

 

 

Caso se confirme a vitória de Hollie, ficará mais uma vez claro o porquê Toscani é tão duro em suas acusações. A publicidade e toda a mídia, são, sem sombra de dúvida, cadáveres que sorriram para Boyle.

 

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por Diogo Ruic

17 de abril ficou lembrado como uma das ações mais violentas da polícia brasileira – comparada, não em número, mas em desproporcionalidade de força utilizada, com a ação no Carandiru, por exemplo. 17 de abril de 1996 foi a data em que 155 policiais assassinaram 19 integrantes do Movimento Sem-Terra (MST) e feriram outros 69, em Eldorado dos Carajás, no Pará, levando o Brasil às páginas internacionais.


17 de abril de 2009 foi a data em que a mídia brasileira perdeu uma nova oportunidade de cobrar as autoridades – mais de 140 incriminados ainda não foram julgados – e informar a sociedade sobre o andamento dos assentamentos país afora. Na verdade, a
imprensa nacional se limitou a informar nova confusão na região (link restrito a assinante UOL ou Folha), onde o MST voltou, para desta vez ocupar a fazenda de Daniel Dantas, banqueiro de larga ficha policial.

A própria Folha de S. Paulo relata que o Estado é hoje “uma das principais fronteiras agropecuárias do país, sendo alvo da cobiça de grandes grupos, o que torna cada vez mais escassas as áreas passíveis de desapropriação para reforma agrária.”

A cobertura dos movimentos sociais pela grande imprensa é um assunto tão delicado que o jornalista José Arbex, em seu livro “O jornalismo canalha – a promíscua relação entre mídia e poder”, dedica um capítulo inteiro ao tema. “O processo de ‘criminalização’ dos movimentos sociais não é um fenômeno recente na América Latina, e menos ainda no Brasil. Ao contrário, o jornalismo moderno brasileiro, por exemplo, foi marcado, desde sua origem, por uma explicita hostilidade para com as organizações populares.” (ARBEX, 2004).

Faltou aí uma cobertura mais profunda dos fatos, esclarecendo ao leitor e a sociedade o que foi o 17 de abril, como anda hoje o movimento, seus defeitos e qualidades. O MST, ao mesmo tempo em que erra e se excede, não deixa por isso de ser um importante movimento para reforma agrária no Brasil. Essa cobertura imparcial, livre de ideologias, ainda me parece em falta na mídia que, por hora, prefere apenas a criminalização (vide vídeo gravado sob o ponto de vista dos seguranças – e o poder que tal posicionamento exerce sobre o espectador – além da construção da notícia, desde a imagem que acompanha a apresentadora Sandra [sombras furiosas quebrando uma cerca] até a irrelevância do fato que antecedeu a invasão – que mesmo assim não me pareceu justificável

 

 

Esquecer de trazer o passado ao presente, sempre que possível, é resgatar a possibilidade de erramos também no futuro.

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