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Archive for the ‘Trabalho: Paper final’ Category

por Carolina Waideman

Tem sido cada vez mais comum passarmos horas a fio, sem sequer nos darmos conta, frente a uma tela na qual, usualmente, estão dispostos vídeos e imagens.

Seis horas passam como se fossem apenas uma. Seis horas depois, ali está você, sem apreensão de nenhum conteúdo digno de menção ou interação real com pessoas reais.

Sozinhos, lemos notícias que não nos interessam, conversamos com pessoas com as quais não gostaríamos, assistimos vídeos que não nos agregam. E não nos damos conta disso.

Marc Augé diz que os meios de comunicação em geral acabam por substituir as instituições mediadoras e criadoras, como escola e família, por meio de três excessos: excesso de informação, excesso de imagens e excesso de individualismo.

O excesso de informação toma forma quando lemos notícias ou artigos que não nos realmente interessam, mas pensamos interessar. O livre arbítrio na internet é equivocado. Teoricamente, podemos qual conteúdo mais nos agrada e quais informações nos são relevantes, mas temos que levar em conta quais informações estão disponíveis. Numa metáfora, é a sensação de você poder escolher seu prato – mas você só o escolhe se o restaurante o oferecer.

O excesso de imagens pode ser entendido como quando, em uma viagem, por exemplo, o turista se preocupa mais em tirar fotos do local visitado do que em sentir o lugar propriamente. Acabamos viciados em imagens e em obter imagens e por vezes deixamos de viver o que realmente há por trás delas.

O excesso de individualismo se dá porque toda essa navegação é individual e, por mais que possamos interagir com outras pessoas virtualmente, via de regra essas interações acabam sendo superficiais. Há a falta do toque, do olhar, do cara-a-cara – fundamentais para que haja interação de fato, o que faz com que o sentimento de solidão seja inerente à maioria dos internautas.

Deixemos de lado então os excessos, a televisão, a internet: há muito mais a ser visto no mundo lá fora.

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por Diogo Ruic

Os 15 sites mais visitados do mundo têm como principal características o compartilhamento da informação e a interação. E apenas cerca de 10% entre os 100 mais vistos não possuem essas premissas. Isso, definitivamente, não é pouco – falamos de uma audiência de mais de 1 bilhão de pessoas. No Brasil, 15 milhões de pessoas estão conectadas, enquanto a tiragem dos jornais tupiniquins não alcança a casa dos 5 milhões. Parte disso é cultural – temos uma população ainda pouco letrada – e a outra parte, mesmo que ainda pequena, é da própria “velha mídia”. mauricio-maia

“O ambiente de interação e de inter-relacionamento é desprezado, e a nova mídia é usada para prosseguir no caminho da unidirecionalidade. A produção de entretenimento ou de jornalismo é despejada no internauta da mesma forma como é derramada pelos veículos impressos”. – Caio Túlio Costa.

Espaço de reflexão, os jornais impressos não têm demonstrado a mesma habilidade que os tornou sinônimo de jornalismo nas últimas décadas com a web. Informação paga na internet, experiências pouco revolucionárias nos sites, enfim, o impresso está apanhando. E nem mesmo os números que mostram um aumento percentual nas tiragens no Brasil não podem ser compreendidos como uma retomada de espaço, senão como um suspiro da força de grandes corporações aliada à fidelidade de alguns milhares de leitores. O problema é que eles não iram durar muito e avanços para conquistar a nova geração conectada tem passos tímidos. 

Talvez tudo isso ainda esteja ligado a incompreensão de alguns setores da mídia das vantagens da participação aberta. E isso não chega nem perto de interações em programas de TV: “Mande um e-mail e escolha o vencedor da prova”. Senhores, isso não é interação, não como 1 bilhão de pessoas já entendem ser. Se não faz parte de determinada linha editorial a participação com “jornalistas cidadãos”, o aumento das possibilidades interativas deve ser vista como premissa. Caso contrário, quando quem cresceu com jornais em cima da mesa da sala perder o interesse pela informação, não serão as crianças conectadas mundo afora que irão buscá-lo na banca.

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por Thaise Salzgeber

Para o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a modernidade sólida (que tem início com as transformações clássicas e o advento de um conjunto estável de valores e modos de vida cultural e político) cessou de existir e deu lugar a modernidade líquida, uma modernidade volátil, na qual as relações humanas não são mais tangíveis e a vida em grupo (familiar, casais, amigos, sociedade…) perde a consciência e estabilidade.

Suas principais características são o desapego, provisoriedade e o acelerado processo de individualização. Um tempo que, ao mesmo tempo gera a liberdade, e a insegurança.

No auge da era da liquidez, o ser humano está se despersonalizando, com isso adquirindo o estatuto de coisa a ser consumida, que em seguida pode ser descartada e facilmente reposta por modelos similares.

“A vida na sociedade líquido moderna é uma versão perniciosa da dança das cadeiras, jogada para valer. O verdadeiro prêmio nessa competição é a garantia (temporária) de ser excluído das fileiras dos destruídos e evitar ser  jogado no lixo” (Vida Líquida, p. 10).

O que diferencia uma modernidade da outra é que, a original era pesada no alto, e a atual é leve no alto, desprendida de deveres emancipatórios.

A individualização na modernidade atual, diferente da individualização de cem anos atrás, consiste em transformar a identidade humana de um dado em uma tarefa, na qual seus autores serão responsáveis pela sua realização e também pelas consequências advindas da mesma.

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por Keli Silveira

Antigamente, para comprar uma mercadoria era só visitar um pequeno comércio próximo a sua residência e marcar na caderneta, naquela época comprava-se para suprir necessidades fisiológicas. Nas prateleiras, o que se via eram poucos produtos e pouca variedade. O tempo passou e o nosso poder de compra mudou. Começamos a subir a pirâmide de Maslow e a buscar outras necessidades: de segurança, de aceitação, de respeito e reconhecimento e de auto-realização. Tornamos-nos então, uma sociedade de consumo.

Aproveitando-se desta tendência de mercado, as empresas perceberam que suas marcas deixaram de ser simplesmente uma representação simbólica, por meio do seu logotipo, e tornaram-se uma ferramenta poderosa na conquista e fidelidade de seus clientes. No texto “Marcas globais e poder corporativo” a autora Naomi Klein diz: “o que mudou com a recente evolução da marca não é tanto o produto que tem a marca, mas sim o consumidor que tem a marca”.        

É fato que as corporações desenvolvem uma idéia que tem a ver com o perfil, com os valores e com o comportamento do seu público-alvo, porém um produto não é constituído somente por um logo, ele deve ser bem desenvolvido, uma vez que o que diferencia uma marca e outra, além de sua comunicação, é a boa qualidade do produto e a credibilidade adquirida no processo de construção da marca.

A marca é um símbolo gráfico que representa uma instituição, ela se alimenta de significados, por isso pauta-se em nossas idéias políticas, nossas noções de família e de comunidade.

Para Naomi Klein, “a idéia é você ter uma idéia que ressoe com o espírito da época, e você está sempre vasculhando a cultura atrás da nova idéia, a idéia ressonante”, em um mundo globalizado a questão da idéia é fundamental para quem deseja fixar sua marca na mente dos consumidores.

E se um dia você se deparar com um anúncio de uma empresa: “Nós vendemos idéias e não produtos” não estranhe, porque este processo de vender idéias e não produtos, já faz parte do nosso cotidiano, e tem influenciado significativamente nossa cultura e nossas  vidas.

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por Louise Pertusier

imagem oliviero

Qual a sua visão de mundo? O que você realmente pensa quando o assunto são as pessoas ao seu redor? E como você as vê? As distingue como próximas, amigas e desconhecidas ou por sua cor, raça, religião e status social?

Na campanha para a marca Benetton, Oliviero Toscani retrata essa “diferença” percebida pelas pessoas, mas, como de costume, de uma forma chocante para alguns, mas completamente humana para outros. Você, meu caro leitor, perceberia a diferença entre três corações de humanos em um anuncio publicitário se não fosse pelas legendas que os distingue por cor de pele? É lógico que não, porque por dentro (fisiologicamente) todos somos iguais, temos as mesmas condições corpóreas que qualquer outra pessoa, mas muitas pessoas não enxergam assim por uma palavra tola, que particularmente considero um sentimento horrível, o racismo.

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Esse “sentimento” não é uma coisa nova, uma característica do mundo que chamamos de globalizado. Há milhares de anos ele já existia e o mesmo já moveu nações em guerras e barbáries.

Por isso, entre diversas outras razões, acredito que o objetivo de Toscani sempre foi nos abrir os olhos para o mundo real. Adianta acreditar que somos diferentes um dos outros se vivemos sob as mesmas condições, estamos no mesmo mundo e respiramos o mesmo ar? O que se tem de prazeroso em menosprezar uma pessoa por uma condição imposta?

  Somos todos humanos, espécie essa que ainda possui exemplares que insistem em acreditar que são melhores que os outros.

 

 

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por Keice G. Casarri 

 

A realidade dos números é cruel. São raras as mulheres satisfeitas com a sua beleza. A maioria corre atrás do padrão estético das beldades que posam para revistas e desfilam na TV. O mito existente dentro destes padrões ganham milhões para terem corpos esbeltos e diferem bastante da realidade da mulher moderna. Aquela que precisa sair para o trabalho, se desdobrar em 1.000 para atender seus muitos papéis e ainda lidar com a cobrança interna e externa exigidas.

Os resultados são notórios: a obsessão pela magreza, as dietas, a malhação, a cirurgia plástica, a moda, os produtos de beleza, todos vendidos e abordados pela mídia. A psicóloga Rachel Moreno, escreveu o livro “A beleza impossível – Mídia, mulher e consumo”,  e faz um alerta: “O ideal de beleza cria um desejo de perfeição, introjetado e imperativo.”

Por que é tão difícil aceitar a diferenças quando se fala em beleza?

A beleza não é um fato, é um valor. Um valor muitas vezes atribuído. A afetividade, as emoções podem atenuar, criar ou destruir belezas. Beleza não é mensurável. O conceito varia no tempo e no espaço. Os valores não são, valem. O que é bonito para uma pessoa pode não ser para outra da mesma idade, sexo e cultura.

A influência acirrada da mídia contribui para que as mulheres acreditem que só serão bem aceitas pela sociedade se aproximando de alguns esteriótipos. Por outro lado, da mesma forma que os meios de comunicação se colocam, muitas vezes, a serviço do padrão de beleza ideal inatingível, também podem se tornar agentes conscientizadores da diversidade: “No momento em que a mídia não fala simplesmente sobre os modelos considerados perfeitos de acordo com os padrões, mas aponta para a variedade dos tipos existentes, ela alerta para os riscos da violência contra o corpo, ajudando até a salvar vidas”, afirma Norval Baitello, coordenador da área de comunicação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

Um paradoxo contraditório a relação de beleza e mídia, mas no fundo  “padrão de beleza” é um assunto polêmico e gerador de controvérsias por si só. Mexe com o psicológico e deixa claro o conflito de identidade. O importante é que as mulheres fiquem atentas, para não cair nas armadilhas puramente consumistas e serem cada vez menos escravizadas pela cobrança estética. Um dia, quem sabe, tenhamos uma sociedade mais democrática sobre a pluralidade da beleza.

 

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por Mariana Primi Haas

Talvez não houvesse oportunidade melhor que a atual para a conclusão de uma série de posts falando sobre a Mídia do Espetáculo, afinal, estamos em plena espetacularização de uma doença. Isso mesmo. Uma doença em cartaz e viajando o mundo com seu drama.

Muitos poderão discordar de mim, dizer que é uma questão de serviço público, entre outros argumentos. Porém, digo que essa super-produção já extrapolou qualquer que fosse a intenção de informar, apenas.

Alguém é capaz de dizer o que realmente está acontecendo? Imagino que não. Eu, pessoalmente, vejo apenas um pânico imenso e desproporcional ao tamanho do problema. Hospitais lotados de gente… Com gripe… Apenas gripe.

É claro que não estou aqui dizendo que a Influenza A não existe, nem que é um vírus criado pela mídia, não sou louca, o que estou tentando trazer à baila é a quantidade de desinformação que se tem sobre este assunto, gerando pânico e comoção em graus ainda mais alarmantes que a própria H1N1.

Todos os dias quando se abre o jornal, qualquer jornal – desde os dedicados à classe alta, até os dedicados às classes baixass – a manchete é a “Gripe Suína”. Mesmo que não se tenha novidades sobre o assunto, mostram-se filas intermináveis de hospitais, mesmo sem a certeza de serem vítimas da Influenza A.

Espetacularizar um fato não é o mesmo que divulgá-lo. É fazer dele demasiadamente falado, discutido, tratá-lo de forma rasa e pouco trabalhada. Falar da Influenza A, por exemplo, explicar seus sintomas e formas de contraí-la, bem como, o modo de tratá-la, a evolução da doença… Tudo isso é fundamental!

Descartáveis são as manchetes diárias recheadas de pessoas que acharam que contraíram, vacinas que pensam que inventaram, filas que se imagina sejam causadas pelo novo vírus, e intermináveis “talvez” e “quem sabe”. Tornando os leitores desinformados e causando o pânico global.

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