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Posts Tagged ‘modernidade líquida’

por Thaise Salzgeber

Para o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a modernidade sólida (que tem início com as transformações clássicas e o advento de um conjunto estável de valores e modos de vida cultural e político) cessou de existir e deu lugar a modernidade líquida, uma modernidade volátil, na qual as relações humanas não são mais tangíveis e a vida em grupo (familiar, casais, amigos, sociedade…) perde a consciência e estabilidade.

Suas principais características são o desapego, provisoriedade e o acelerado processo de individualização. Um tempo que, ao mesmo tempo gera a liberdade, e a insegurança.

No auge da era da liquidez, o ser humano está se despersonalizando, com isso adquirindo o estatuto de coisa a ser consumida, que em seguida pode ser descartada e facilmente reposta por modelos similares.

“A vida na sociedade líquido moderna é uma versão perniciosa da dança das cadeiras, jogada para valer. O verdadeiro prêmio nessa competição é a garantia (temporária) de ser excluído das fileiras dos destruídos e evitar ser  jogado no lixo” (Vida Líquida, p. 10).

O que diferencia uma modernidade da outra é que, a original era pesada no alto, e a atual é leve no alto, desprendida de deveres emancipatórios.

A individualização na modernidade atual, diferente da individualização de cem anos atrás, consiste em transformar a identidade humana de um dado em uma tarefa, na qual seus autores serão responsáveis pela sua realização e também pelas consequências advindas da mesma.

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por Keice G. Casarri

A modernidade líquida é marcada por facilitar as distâncias físicas e valorizar o poder de consumo, mas há outro fator primordial que emerge dessa sociedade: a presença da mídia nas construções de identidade e nas relações sociais.

 

Um efeito interessante é o que causa a telenovela brasileira. A relação personagem de novela versus público é digna de discussões. Não é raro ver pessoas nas ruas com roupas semelhantes às que uma determinada personagem usou no capítulo do dia anterior, mas a mídia não vende apenas moda, vende comportamentos, percepções e ideologias. As personagens são construtoras de identidades e os indivíduos costumam se projetar, partilham desejos, hábitos e até costumes.

 

A mania de imitar personagens é uma das provas de que na sociedade líquido-moderna a identidade não é fixa e que o indivíduo assume diferentes papéis a todo o momento. Nesse cenário, uma pergunta ecoa: como ficam as relações humanas? O resultado não poderia ser outro: sofrem.

 

Assim como as identidades, os vínculos entre os seres humanos se tornam mais frágeis. As relações são descartáveis e substituíveis. São mais efêmeras e rapidamente abandonadas por outras mais convenientes.

 

A humanidade têm agido a partir dos significados que a mídia lhes oferece. É através dela que cada um de nós tem retirado a maior parte do conteúdo que usa para a construir sua identidade.

 

A metáfora proposta pelo filme Alexandre, O Grande, é bem pertinente para tratar esse assunto. Lutamos para conquistar nosso reino, mas é como se usássemos várias máscaras durante o combate. Ao fim, talvez tenhamos um reino, mas que tipo de rei seria? Aquele moldado através dos nossos próprios valores e crenças ou um sujeito criado a partir de meras cópias do que nos é apresentado no dia-a-dia?

Herdeiros de Alexandre…

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